O Partido Liberal (PL) de Mato Grosso do Sul está prestes a definir seu candidato ao Senado para as eleições de 2026. O presidente estadual da sigla, Reinaldo Azambuja, concluirá na próxima semana o processo de escolha que selará o destino de um dos dois principais pré-candidatos bolsonaristas: Capitão Contar ou Marcos Pollon. A decisão, aguardada com grande expectativa, eliminará um dos nomes da corrida eleitoral, consolidando a estratégia de Azambuja de reestruturar o comando partidário no estado.
A disputa interna, que nos bastidores é chamada de “fritura”, teve seus primeiros capítulos na tentativa frustrada de Reinaldo Azambuja de eleger Beto Pereira (PSDB) à prefeitura de Campo Grande, em 2024. Naquela ocasião, Azambuja prometeu ao ex-presidente Jair Bolsonaro “cuidar do PL no Estado” em troca de apoio à sua aposta. Apesar do revés eleitoral, o ex-governador cumpriu a transição para o PL, um movimento que ele chegou a classificar como “sacrifício” em reuniões com o diretório estadual do PSDB.
A corrida pela vaga no Senado foi marcada por reviravoltas significativas. Inicialmente, Capitão Contar filiou-se ao PL em Brasília com a garantia de lideranças nacionais, como Valdemar da Costa Neto, de que teria a vaga. Pouco depois, uma anotação vazada por Flávio Bolsonaro sugeriu que Marcos Pollon teria pedido R$ 15 milhões para desistir da candidatura. Em seguida, Reinaldo Azambuja e o governador Eduardo Riedel (PSDB) viajaram a Brasília para um encontro com Flávio Bolsonaro, após o qual foi anunciado que a escolha seria feita por meio de pesquisas, e não por aclamação, como inicialmente cogitado.
O cenário ganhou mais um elemento quando Jair Bolsonaro, por meio de uma mensagem enviada de dentro da cadeia, indicou preferência por Pollon, convencendo-o a permanecer no PL e desistir de uma possível mudança para o Partido Novo. Agora, com as pesquisas já finalizadas, Reinaldo Azambuja informará os números à cúpula nacional e ao ex-presidente. Independentemente do escolhido, um dos pré-candidatos verá seu sonho de disputar o Senado adiado, sem a possibilidade de trocar de legenda devido ao fechamento da janela partidária, enquanto Azambuja reforça sua influência sobre a máquina partidária bolsonarista em Mato Grosso do Sul.


