Uma pesquisa PoderData, divulgada nesta quarta-feira (3) de junho de 2026, indica que 53% dos brasileiros veem como benéfica a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em contrapartida, 33% consideram a medida prejudicial ao Brasil. Outros 14% dos entrevistados não souberam responder.
Detalhamento da Pesquisa e Contexto da Classificação
O levantamento PoderData ouviu 2.500 pessoas. A amostra abrangeu 166 municípios nos 27 estados do país. A margem de erro estimada é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa ocorreu após o Departamento de Estado norte-americano anunciar, no último dia 28 de maio de 2026, a inclusão das duas facções brasileiras nas listas de Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs) e de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs).
Este enquadramento impõe severas sanções. O Departamento do Tesouro dos EUA administra bloqueios financeiros. A medida também gera sanções criminais e diplomáticas. Integrantes dos grupos ficam proibidos de entrar nos Estados Unidos. O fornecimento de recursos às facções torna-se ilegal. Segundo os Estados Unidos, PCC e CV representam as organizações criminosas mais violentas do Brasil. Suas redes ilícitas se estendem pela região e afetam a segurança nacional norte-americana.
Repercussão Política e Diplomática
A decisão americana veio após uma série de encontros em Washington. O senador e pré-candidato à Presidência da República em 2026, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro participaram das reuniões. Eles se encontraram com autoridades dos Estados Unidos, incluindo o secretário de Estado, Marco Rubio. O senador argumentou que os grupos “controlam territórios pela força e infiltram instituições”, justificando o tratamento como terroristas.
O Palácio do Planalto foi pego de surpresa pelo anúncio. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expressou a posição do governo. Lula afirmou que, “embora as facções sejam terroristas para a sociedade brasileira e devam ser combatidas internamente, a decisão estrangeira fere a soberania nacional”. O assessor especial Celso Amorim reforçou a crítica. Ele declarou que a cooperação internacional contra a lavagem de dinheiro é bem-vinda, mas que “a utilização do tema como pretexto para intervenção é inaceitável”.
A divisão da opinião pública brasileira sobre o tema reflete a complexidade da questão. O Brasil, assim, enfrenta um dilema entre a colaboração internacional no combate ao crime organizado e a defesa de sua soberania. A pesquisa PoderData ilustra essa tensão.


