O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou nesta terça-feira (2) uma explicação de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, sobre a proposta de tarifas de 25% contra produtos brasileiros. O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) anunciou a medida, alegando que o Brasil adota práticas que oneram ou restringem o comércio norte-americano. As tarifas devem entrar em vigor até 15 de julho de 2026, após uma audiência marcada para 6 de julho.
Exigência de Esclarecimento e Prazos
Lula expressou sua expectativa por um contato direto do líder norte-americano. “Eu estou esperando um telefonema seu para me explicar o que aconteceu na sua ausência e na minha ausência, porque esse acordo não pode ter a sua anuência. Nós dois combinamos 30 dias, até 15 de julho, para termos uma resposta sobre o que nós propusemos”, declarou o presidente brasileiro.
A decisão dos EUA detalha uma investigação sobre temas como o sistema de pagamentos Pix, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal. O governo americano propõe as tarifas sob a justificativa de “retrocesso” em práticas anticorrupção e comerciais.
Relações Bilaterais e Propostas Brasileiras
O presidente petista relembrou que apresentou a Trump propostas envolvendo minerais críticos e terras raras, combate ao crime organizado e ampliação das relações comerciais. Ele também se colocou à disposição para discutir qualquer tema de interesse do governo americano. “Trump, é o seguinte, cara: você disse que pintou uma química entre nós. Quem anunciou isso não foi você nem eu. Você me deu uma reunião e eu dei uma reunião para você, porque nós demos 30 dias para os nossos negociadores conversarem”, destacou Lula.
A declaração ocorreu durante a cerimônia de inauguração do Hospital Universitário da Universidade Federal de Catalão (HU-UFCAT), em Goiás. Ministros como Alexandre Padilha (Saúde), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da República) e Leonardo Barchini (Educação) participaram do evento. Paralelamente, a pauta das tarifas gerou reações diversas no cenário político nacional, com Flávio Bolsonaro pedindo a Trump que não aplicasse as tarifas.
Discurso de Soberania e Defesa do Pix
Aos presentes, Lula fez um discurso enfático, salientando que o Brasil aprendeu a agir de “cabeça erguida”, sem se considerar melhor nem pior do que outros países. Ele afirmou que nunca “baixou a cabeça” para ninguém e que não teme pressões de Trump, buscando paz e respeito em vez de guerra com os Estados Unidos. O presidente ainda defendeu o Pix como uma invenção brasileira que beneficia a população.
A postura do governo brasileiro reflete a indignação com as propostas tarifárias, conforme noticiado anteriormente. A situação permanece em aberto, com a expectativa de um diálogo direto entre os dois chefes de Estado.


