O ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius Marques Carvalho, criticou publicamente a postura dos Estados Unidos em relação ao combate à corrupção. Ele apontou uma “contradição difícil de ignorar” na investigação americana contra o Brasil, especialmente diante das propostas de aumento de impostos e acusações de falha brasileira. Carvalho manifestou suas considerações nas redes sociais, comparando a fiscalização americana sobre suas próprias empresas no exterior.
Críticas à Postura Americana
Carvalho afirmou que o rigor exigido do Brasil não se aplica com a mesma intensidade a empresas americanas. “O que deveria ser princípio vira conveniência. O que deveria fortalecer instituições vira ferramenta de pressão externa”, escreveu o ministro no X. Ele destacou que, enquanto o discurso americano para pressionar o Brasil foca no combate à corrupção, os Estados Unidos reduzem a prioridade de aplicação do Foreign Corrupt Practices Act (FCPA).
A FCPA é uma lei criada para punir empresas americanas que corrompem agentes públicos em outros países. Segundo Carvalho, a cobrança perde força quando a corrupção envolve empresas dos Estados Unidos atuando fora de suas fronteiras. Ele também ressaltou que, ao pressionar um país soberano, o combate à corrupção transforma-se em instrumento geopolítico.
O ministro enfatizou a gravidade da situação brasileira. “No caso brasileiro, a contradição é ainda mais grave porque essa ofensiva contou com apoio e provocação da família Bolsonaro, que mais uma vez aposta em levar disputas domésticas para Washington e transformar divergências políticas internas em ataques à soberania nacional”, declarou.
Defesa da Atuação Brasileira
O Brasil, conforme Carvalho, mantém a aplicação vigorosa da Lei Anticorrupção. Ele apresentou dados para sustentar sua argumentação. Desde 2013, a Lei nº 12.846 permitiu a instauração de mais de 2.200 processos de responsabilização de empresas. O país aplicou cerca de R$ 2,1 bilhões em multas e celebrou 36 acordos de leniência, com compromissos de devolução superiores a R$ 20,1 bilhões. Mais de R$ 11,3 bilhões já retornaram aos cofres públicos.
A atuação recente do governo demonstra um Estado mais capaz de investigar e prevenir irregularidades. Em 2025, a CGU participou de 76 operações em conjunto com a Polícia Federal. Essas ações identificaram mais de R$ 13,6 bilhões em prejuízos potenciais a grupos criminosos. Auditorias corrigiram distorções bilionárias em programas sociais, operações desarticularam redes criminosas e ferramentas de inteligência evitaram perdas antes de sua concretização.
“O Brasil não está recuando no combate à corrupção. Está fortalecendo as instituições, ampliando a transparência e aplicando a lei. A diferença é que faz isso dentro da democracia, com soberania e sem transformar a pauta anticorrupção em arma contra outros países”, afirmou o ministro.
Carvalho concluiu que a melhor resposta à hipocrisia reside na prática. “E a prática mostra que o governo brasileiro, sob a liderança do Presidente Lula, investiga, responsabiliza, recupera recursos públicos e combate a corrupção sem abrir mão dos interesses nacionais”, finalizou, ecoando as críticas do presidente Lula sobre as tarifas.


