As negociações para encerrar o conflito mais mortal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial permanecem estagnadas, mas uma nova iniciativa surgiu nesta quinta-feira (4). O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, propôs uma reunião direta ao seu par russo, Vladimir Putin, por meio de uma carta aberta, oferecendo um “cessar-fogo total” enquanto os termos para o fim da guerra são discutidos.
Na incomum missiva, Zelensky escreveu que “a Ucrânia propõe pôr fim a esta guerra por meio de um compromisso direto entre o senhor e nós. Proponho uma reunião”. Horas antes de um discurso de Putin em São Petersburgo, no “Davos russo”, o líder russo afirmou a jornalistas estar sempre disposto a negociar com Kiev uma saída para a guerra, baseando-se em discussões “durante o encontro com o presidente (americano Donald) Trump” em Anchorage, em agosto de 2025.
Moscou exige de Kiev concessões políticas e territoriais, incluindo uma retirada completa da região de Donetsk, parte do Donbass. O governo ucraniano recusa essas condições, classificando-as como capitulação. Putin, contudo, reiterou que um acordo não excluiria o controle total de Moscou sobre o Donbass, a bacia mineradora no leste da Ucrânia parcialmente sob controle russo, afirmando que “uma coisa não exclui a outra”.
A falta de progresso foi ecoada pelo chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, que na quarta-feira (3) declarou que “nenhuma das duas partes esteve disposta a fazer as concessões necessárias para restabelecer a paz, particularmente do lado russo”. O retorno de Donald Trump à Casa Branca prometia um fim rápido à guerra, mas a eclosão de um conflito no Oriente Médio, após um ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, criou uma nova frente de crise.
Nesta quinta-feira (4), Putin avaliou que “está claro que a administração americana se vê obrigada a concentrar sua atenção nesse assunto e a tratá-lo antes de qualquer outro”. Enquanto a diplomacia avança lentamente, os combates persistem no terreno. O líder russo assegurou que as tropas de Moscou avançam “em toda a linha de frente”.
No entanto, uma análise da AFP baseada em dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) indica que a Ucrânia recuperou cerca de 282 km² dos russos em maio. Este é o segundo mês consecutivo de redução da área de território ucraniano controlada por Moscou, revertendo a tendência de ganhos russos observada do fim de 2023 até alguns meses atrás.


