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Politica Nacional

Justiça de SP decreta prisão de Luan Araujo por não pagamento de pena pecuniária

Jornalista, conhecido por incidente com Zambelli, teve pena alternativa por difamação convertida em privativa de liberdade. Defesa alega hipossuficiência econômica e critica a medida.
Por Camila Duarte - Meu MS News
Publicado em 05/06/2026 - 09:16 | Meu MS News
Justiça de SP decreta prisão de Luan Araujo por não pagamento de pena pecuniária
Foto: Divulgação

A Justiça de São Paulo determinou a prisão do jornalista Luan Araujo, que ganhou notoriedade nacional após ser perseguido pela ex-deputada federal Carla Zambelli com uma arma em 2022. A decisão, proferida na última segunda-feira, 1º de junho, converteu uma pena de prestação de serviços e pagamento de valores em privativa de liberdade, após o não cumprimento de uma obrigação pecuniária imposta em um processo por difamação.

O juiz Jose Fernando Steinberg, da Vara do Juizado Especial Criminal do Foro Central da Barra Funda, fundamentou a medida no não pagamento da prestação pecuniária. A sanção original decorre de uma publicação na qual Araujo afirmou que Zambelli “faz parte de uma extrema direita mesquinha, maldosa e que é mercadora da morte”. Segundo o magistrado, “tendo em vista que o condenado, apesar de devidamente intimado, não cumpriu a prestação pecuniária imposta, nos termos do artigo 44, §4º, do Código Penal, converto a pena restritiva de direitos em pena privativa de liberdade”.

A prestação pecuniária é uma pena restritiva de direitos, servindo como alternativa à prisão para crimes de menor gravidade, sem violência ou grave ameaça, e com penas de até quatro anos. O valor, fixado pelo juiz entre um e 360 salários mínimos, é calculado com base na situação econômica do condenado e na extensão do dano, sendo destinado à vítima, seus dependentes ou a entidades com finalidade social. Contudo, o Código Penal prevê que, se o condenado não realizar o pagamento após a devida intimação, a pena é obrigatoriamente convertida em privativa de liberdade, resultando na ordem de prisão.

Em nota, a defesa de Luan Araujo manifestou profunda preocupação com a decisão, ressaltando que o jornalista não foi condenado por crimes violentos ou de corrupção, mas sim por um texto de opinião veiculado no exercício de sua profissão. A defesa informou ter solicitado o reconhecimento da hipossuficiência econômica de Araujo — sua incapacidade financeira de arcar com os custos processuais — ou, ao menos, o parcelamento da dívida, mas a conversão em prisão foi mantida.

“A pergunta que precisa ser feita à sociedade é simples: pode um jornalista perder sua liberdade porque não tem dinheiro para pagar uma obrigação pecuniária? Pode a pobreza ser transformada em motivo para o cárcere? A defesa entende que não”, questiona o comunicado. Com a conversão da pena, o juiz determinou a expedição da guia de execução e o encaminhamento do caso à Vara de Execuções Criminais (VEC), enquanto a defesa indica que novas medidas legais serão tomadas.

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