Israel lançou hoje, sexta-feira, 5 de junho de 2026, novos e intensos ataques no sul do Líbano, emitindo ordens de evacuação para diversas cidades da região. A escalada ocorre após o grupo pró-Irã Hezbollah rejeitar um acordo de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, exigindo a retirada completa das tropas israelenses e um cessar-fogo abrangente para toda a região. A ofensiva, que já deixou mais de 3.500 mortos no lado libanês, aprofunda uma grave crise humanitária e regional.
O Líbano foi arrastado para o conflito mais amplo no Oriente Médio em 2 de março de 2026, quando o Hezbollah atacou Israel em solidariedade, após a morte do líder supremo iraniano. Esse evento foi uma resposta aos ataques israelenses e americanos contra o Irã em 28 de fevereiro do mesmo ano. Desde então, segundo o Ministério da Saúde libanês, os ataques israelenses mataram pelo menos 3.526 pessoas, enquanto o lado israelense registrou a morte de 27 soldados e um terceirizado civil.
A tentativa de pacificação liderada por Washington viu representantes dos governos israelense e libanês concordarem com um cessar-fogo após dois dias de negociações. No entanto, o líder do Hezbollah, Naim Qasem, rejeitou o acordo ontem, quinta-feira, 4 de junho, reiterando a demanda por uma trégua completa e a retirada total de Israel do sul do Líbano. A situação tem dificultado as negociações entre Washington e Teerã, que também exige um cessar-fogo completo no Líbano como condição para qualquer acordo, e gerou atritos entre os aliados Estados Unidos e Israel. No início desta semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, criticou abertamente o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, chamando-o de “louco” por ameaçar bombardear Beirute e, assim, colocar em risco as negociações com o Irã.
A atual incursão israelense em território libanês é a mais profunda em duas décadas. O porta-voz em árabe do exército israelense, Avichay Adraee, utilizou a plataforma X hoje para alertar os moradores de várias cidades no sul do Líbano, um histórico reduto do Hezbollah. “Qualquer pessoa que esteja perto de operativos do Hezbollah, suas instalações ou suas armas está colocando sua vida em perigo!”, publicou Adraee, intensificando a pressão sobre a população civil.
A agência de notícias oficial do Líbano, NNA, relatou um deslocamento em massa de pessoas em três das aldeias afetadas pelos ataques e confirmou um bombardeio em uma delas. Durante a noite, ataques aéreos israelenses mataram sete pessoas na cidade libanesa de Tiro, conforme uma fonte da Defesa Civil Libanesa à AFP, com quatro mortes perto do Hospital Jabal Amel e outras três em uma área residencial. Marwan Ghorayeb, um oficial aposentado das forças de segurança, descreveu à AFP o terror: “Eu estava no quarto do hospital onde minha mãe estava internada quando houve uma forte explosão. Ela já havia escapado milagrosamente do primeiro ataque [na segunda-feira], quando estava na UTI. Minha casa na aldeia foi destruída, minha casa em Tiro também; não nos restou nada além da roupa do corpo.”


