O presidente chinês, Xi Jinping, fará uma visita de Estado à Coreia do Norte na próxima semana, dias 8 e 9 de junho, anunciaram Pequim e Pyongyang nesta sexta-feira (5). A viagem, a primeira do líder chinês ao país em quase sete anos, ocorre em um momento de intensa atividade diplomática na península coreana e de crescente preocupação global com o programa nuclear norte-coreano.
A visita é vista como um movimento estratégico da China para reafirmar sua influência sobre seu vizinho dotado de armas nucleares e proteger interesses no nordeste da Ásia. O líder norte-coreano, Kim Jong Un, tem se aproximado da Rússia nos últimos anos, inclusive com o envio de armamentos e tropas convencionais para apoiar a guerra na Ucrânia, mas também tem buscado intensificar os laços com a China, seu maior parceiro comercial e principal fonte de ajuda.
“As tradicionais relações amistosas e de cooperação entre a China e a RPDC continuaram a se desenvolver de maneira sólida e estável, trazendo benefícios tangíveis para ambos os países e seus povos”, afirmou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, utilizando a sigla para o nome oficial da Coreia do Norte. A viagem de Xi também acontece semanas após ele ter recebido em Pequim, em rápida sucessão, os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin.
A relevância da visita é amplificada pelo recente anúncio de Pyongyang de uma nova instalação destinada à produção de material para bombas nucleares – supostamente uma usina de enriquecimento de urânio. O anúncio ocorreu um dia antes da confirmação da viagem de Xi. Durante uma inspeção ao local, Kim Jong Un declarou planos de fortalecer as forças nucleares do país “em ritmo exponencial”, um movimento que especialistas interpretam como uma forma de reforçar o status da Coreia do Norte como potência nuclear antes do encontro com o líder chinês.
Analistas avaliam que Kim busca o reconhecimento internacional como um Estado nuclear para exigir o fim das sanções impostas pela ONU devido ao seu programa de armas e mísseis. A longo prazo, o líder norte-coreano poderia tentar negociar com os EUA reduções de armamentos em troca de concessões. O programa nuclear da Coreia do Norte permanece uma das principais preocupações de segurança para os Estados Unidos e a comunidade internacional.


