A Sala Lilás da Unidade Regional de Perícia e Identificação (URPI) de Amambai, em Mato Grosso do Sul, oferece acolhimento psicológico a crianças, adolescentes e mulheres vítimas de violência. Inaugurada em março de 2023, a iniciativa da Polícia Científica já apoiou 505 exames médico-legais, utilizando brinquedos como ferramenta para reduzir o trauma e facilitar o atendimento pericial. Esta abordagem humanizada complementa esforços estaduais, como a recente inauguração da 67ª Sala Lilás em Fátima do Sul, para fortalecer a rede de proteção.
Brinquedos Promovem Vínculo e Reduzem Medo
Antes do procedimento pericial, a criança escolhe um brinquedo disponível na Sala Lilás, que inclui carrinhos, bonecas, livros e miniaturas. Este primeiro contato lúdico ajuda a equipe a criar um vínculo, alivia o medo inicial e torna o ambiente da perícia menos intimidador. O coordenador regional da URPI de Amambai, perito criminal Paulo Henrique Oliveira, observa a importância deste método.
“Ela brinca, baixa um pouco a guarda e depois segue para o procedimento. Às vezes, leva o brinquedo junto. Isso ajuda naquele momento”, explica Oliveira.
O Brinquedo como Continuidade do Cuidado
O espaço físico da Sala Lilás é cuidadosamente decorado com desenhos, barraca de dinossauro, tenda, tapetes e mobiliário infantil. Cada item contribui para um ambiente acolhedor. Após o exame, a criança retorna à sala, onde pode retomar a brincadeira interrompida. A permissão para levar um ou dois brinquedos para casa surgiu da observação da própria equipe.
Os servidores constataram que não faria sentido expor uma criança fragilizada a tantos brinquedos, permitir que criasse um vínculo e depois exigir que os deixasse. “Quando ela volta para a sala, o choro diminui bastante. A gente vê que funciona”, relata o coordenador Paulo Henrique Oliveira. Este gesto fortalece o sentimento de segurança e cuidado.
Origem e Expansão da Iniciativa
A iniciativa nasceu da percepção da equipe sobre a necessidade de um ambiente mais reservado e funcional para vítimas de violência. Inicialmente, a perita médica-legista Ana Paula Miranda, chefe do Núcleo Regional de Medicina Legal (NRML), adquiriu alguns brinquedos. Posteriormente, a URPI recebeu uma doação significativa da Receita Federal, permitindo a ampliação do acervo e a melhor organização do espaço.
“Começou de forma simples, mas a gente sentiu a necessidade de melhorar esse processo”, afirma o perito criminal. Hoje, a sala dispõe de itens para diversas faixas etárias, garantindo que cada criança encontre algo que a conforte durante o atendimento. Tais ações se alinham aos esforços do governo estadual para fortalecer a segurança e o apoio a mulheres em situação de vulnerabilidade.


