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Esportes

Parque Olímpico do Rio: Novo Legado Redefine Usos

Dez anos após os Jogos do Rio, a prefeitura inicia a entrega do Parque Olímpico da Barra da Tijuca à gestão privada. Os planos iniciais de expansão esportiva foram alterados. Agora, a área foca em um novo modelo, incluindo um parque temático com resort.
Por Roberto Vieira - Meu MS News
Publicado em 05/08/2026 - 16:09 | Meu MS News
Parque Olímpico do Rio: Novo Legado Redefine Usos
© Rio 2016 / Alex Ferro

A prefeitura do Rio de Janeiro avança na gestão do principal espaço do megaevento. As pretensões de ampliar o Centro Olímpico de Treinamento do COB foram abolidas. O mesmo ocorreu com a construção de prédios na área.

Revisão do Legado Olímpico

A intenção é construir um parque temático ligado ao Rock in Rio. O projeto inclui um resort, montanha-russa e roda gigante. Este novo modelo, entretanto, já apresenta atrasos.

O ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) defendeu o novo modelo. Ele o considera superior ao planejado há dez anos. “No início era para ser prédio, não vai ser mais”, disse Paes.

Paes completou: “Foi uma adaptação para melhor do legado. Seria um monte de espigão numa área já sufocada com problemas viários. Esse potencial construtivo vai ser distribuído pela Barra da Tijuca. Agora será um centro de entretenimento que vai sair. Essas coisas não acontecem em dez anos.” Paes conduziu a preparação da cidade para os Jogos (2009-2016).

O atual prefeito, Eduardo Cavaliere (PSD), destacou a preservação do legado. “Poucas cidades no mundo conseguiram preservar e dar uso permanente ao legado de uma Olimpíada como o Rio”, afirmou Cavaliere.

Cavaliere enfatizou o papel do complexo. “O Parque Olímpico é um patrimônio da cidade. Estamos garantindo que ele cumpra exatamente o papel para o qual foi concebido: servir à população. Fizemos uma gestão responsável, reduzindo custos para o contribuinte, atraindo investimentos privados e preservando espaços fundamentais para o esporte de alto rendimento.”

Gestão Privada e Novas Propostas

A Rock World, organizadora do Rock in Rio, deve administrar quase todo o Parque Olímpico. A empresa venceu a licitação para gerir equipamentos da prefeitura:

  • Arena Carioca 1
  • Velódromo
  • Centro Olímpico de Tênis

A Rock World pagará uma outorga fixa de R$ 19,5 milhões. A empresa também integra um consórcio com o banco Genial Investimentos. Este consórcio planeja um parque temático de 385 mil metros quadrados. O projeto inclui um centro de negócios.

O grupo pretende explorar a área de logística do evento, sem arenas. O projeto ainda depende de negociação com a Caixa Econômica Federal e a concessionária Rio Mais. Esta última construiu parte do Parque Olímpico. Inicialmente, a Rio Mais usaria os terrenos para erguer prédios.

A prefeitura informou que cumpriu todas as suas etapas. “Elaborou o projeto urbanístico, aprovou a legislação e criou todas as condições para que a Operação Urbana Consorciada pudesse ser implantada”, destacou em nota.

O município ainda não editou o decreto regulamentando a operação urbana. O masterplan do projeto, previsto para julho, não foi oficializado. A Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos do município, responsável pelo projeto, mantém a confiança.

“As etapas previstas estão sendo conduzidas de maneira gradual. A prefeitura mantém confiança na viabilidade da iniciativa e na concretização do projeto. Ele contribuirá para o desenvolvimento da região e para a valorização do legado olímpico”, afirmou a Companhia em nota.

Ausência de Investimentos Esportivos

Os novos planos não incluem investimentos esportivos prometidos na época dos Jogos. Havia um projeto para construção de pista de atletismo e alojamentos para atletas. O COB solicitou a obra ao município, mas ela não foi realizada.

A prefeitura, em nota, relembrou o conceito do Centro Olímpico de Treinamento. “É importante lembrar que o Centro Olímpico de Treinamento nunca foi formado apenas pelas Arenas 1, 2 e 3. O projeto sempre contemplou os equipamentos da Barra da Tijuca e de Deodoro. E se tornou realidade.”

A nota também listou os usos atuais:

  • Parque Aquático Maria Lenk e Arena Multiuso (Farmasi Arena) são usados permanentemente pelo COB.
  • Arena Carioca 1 recebe competições nacionais e internacionais, como o Campeonato Pan-Americano de ginástica rítmica.
  • Velódromo mantém intensa programação esportiva.
  • Vila Olímpica atende cerca de 2.000 pessoas com 33 modalidades esportivas e de lazer gratuitas.

A Arena Carioca 2, inicialmente para treinamento de atletas, será um instituto federal. O COB avaliou concorrer pela administração da Arena Carioca 1. Desistiu por “não houve viabilidade financeira e operacional”.

Desafios e Soluções para o Legado

Entre os estádios do Parque Olímpico, o Centro Olímpico de Tênis foi o principal “elefante branco”. Ele ficou ocioso por quase dez anos. Esteve sob administração federal na maior parte da década. A arena também foi incluída na concessão à Rock World.

A gestão Cavaliere afirmou o uso recente da arena de tênis. “Desde que o município retomou o projeto de legado, a arena voltou a ser utilizada pela população. Apesar de não receber grandes competições, não significa que esteja sem função.”

A prefeitura utiliza o espaço em diversas atividades. Colônias de férias para crianças e jovens são exemplos. A Arena 1 e o Centro de Tênis poderão ser explorados comercialmente. O Velódromo deve ser mantido para atividades esportivas e sociais. O local abriga o Museu Olímpico, que será administrado pela Rock World.

A arena sofreu um incêndio em abril em sua cobertura. A prefeitura investirá R$ 10,7 milhões na reconstrução. A previsão de conclusão é de seis meses. A prefeitura planeja usar o Centro de Mídia como complexo de datacenters. O foco seria inteligência artificial. Contudo, a ideia ainda é um memorando de intenção.

A concretização do plano de legado ocorreu nos últimos anos. Atrasos se deveram principalmente ao abandono do planejamento do ex-prefeito Marcelo Crivella (2017). Paes retomou em 2021 o plano de desmontagem da Arena do Futuro, que sediou o handebol. Quatro escolas foram construídas. Elas foram inauguradas em 2024, nos bairros de Bangu, Campo Grande, Rio das Pedras e Santa Cruz. No mesmo ano, a Arena 3 tornou-se uma escola pública. A piscina do Estádio Olímpico Aquático foi instalada em um parque em Inhoaíba.

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