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Policial

Polícia Civil indicia ex-deputado Sérgio Assis e filho por golpe de R$ 58 milhões contra produtores rurais em MS

Operação Agro Fantasma revelou esquema de estelionato que usava o nome de propriedades rurais para comprar grãos e não pagar.
Por Roberto Vieira - Meu MS News
Publicado em 12/08/2026 - 08:52 | Meu MS News
Polícia Civil indicia ex-deputado Sérgio Assis e filho por golpe de R$ 58 milhões contra produtores rurais em MS
Ex-deputado estadual Sérgio Assis. (Foto: Reprodução, Redes Sociais)

Indiciados e crimes imputados na Operação Agro Fantasma

A Polícia Civil de Mato Grosso indiciou o ex-deputado estadual de Mato Grosso do Sul, Sérgio Assis, seu filho, Mário Sérgio Cometki Assis, e o empresário Pedro Henrique Cardoso no âmbito da Operação Agro Fantasma. As investigações revelaram um golpe de R$ 58 milhões contra produtores rurais.

Sérgio Assis e Wanderley Soares Barboza Junior, administrador da Santa Felicidade Agro Indústria, foram indiciados por estelionato. Já Mário Sérgio Cometki Assis e Pedro Henrique Cardoso respondem por associação criminosa e fraude processual.

Destruição de provas e prisão por munições

A polícia constatou a destruição deliberada de provas na sede da Imaculada Agronegócios, em Cuiabá. Câmeras de segurança registraram a retirada de caixas de documentos na madrugada anterior à operação. Depoimentos apontam que os papéis foram queimados e o sistema de monitoramento foi formatado remotamente.

Durante o cumprimento de mandados na casa do ex-deputado, em Campo Grande, ele foi preso em flagrante por posse ilegal de cerca de 250 munições. Sérgio Assis foi liberado após pagar fiança de R$ 5 mil.

Estratégia do golpe e vazamento de informações

O delegado Ricardo Sarto afirmou que Sérgio Assis usava sua influência política e poder econômico como garantia nas negociações das empresas investigadas. O esquema convencia vítimas a usar o nome de suas propriedades para comprar grãos a prazo, que eram revendidos à vista. Nos primeiros meses, os débitos eram pagos; depois, as dívidas não eram quitadas, gerando prejuízo superior a R$ 58 milhões a uma das vítimas.

A investigação aponta que os suspeitos souberam da operação antecipadamente devido a um alerta financeiro. Em 3 de março, um bloqueio judicial de R$ 70 milhões nas contas do grupo foi executado. Ao verem o extrato, os investigados acionaram advogados e conseguiram revogar ordens de prisão preventiva. “Já cientes da medida de bloqueio, os suspeitos tiveram tempo hábil para destruir provas”, destacou o delegado no relatório final.

Pedro Henrique Cardoso, apontado como comandante da estrutura, evadiu-se e segue com paradeiro desconhecido.

Defesa nega envolvimento do ex-deputado

A defesa de Sérgio Assis, representada pelo advogado João Paulo Zampieri, nega qualquer envolvimento com o esquema. Em nota, afirma que “refutamos veementemente qualquer acusação de estelionato, conluio ou associação criminosa imputada ao nosso cliente”. A defesa ressalta que o ex-parlamentar não tem gestão nem poderes para representar as empresas investigadas.

Consequências legais e situação atual

O ex-deputado Sérgio Assis responde agora também pelo crime de fraude processual devido ao plano de ocultação e destruição de documentos. O empresário Pedro Henrique Cardoso, foragido, segue sem paradeiro localizado pela polícia.

A Operação Agro Fantasma continua em andamento, com novas fases podendo ser deflagradas. Produtores rurais que se sentirem lesados podem buscar informações junto à Polícia Civil de Mato Grosso do Sul.

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