Policial federal de MS deverá cumprir medidas protetivas após agredir mãe e filho em Campo Grande
A Justiça Federal determinou que o policial federal suspeito de agredir uma mulher de 41 anos e o filho dela, de 23 anos, em março deste ano, em uma lanchonete no Jardim dos Estados, em Campo Grande (MS), cumpra medidas protetivas. A decisão foi publicada pela 3ª Vara da Justiça Federal e inclui também a esposa do rapaz, de 26 anos, que também sofreu agressões.
O descumprimento da decisão pode acarretar prisão preventiva. A advogada das vítimas, Danielle Rezende, explicou que o pedido visa preservar os envolvidos durante o processo. “Como houve uma interação muito violenta na data dos fatos, consideramos mais prudente que houvesse essa cautelar de contato, até para preservar a parte emocional e psicológica das vítimas durante o curso do processo”, afirmou.
Medida protetiva impõe distância mínima de 500 metros
Com a medida, o policial fica proibido de frequentar os mesmos lugares que as vítimas e de fazer qualquer tipo de contato com elas ou familiares. A distância mínima exigida é de 500 metros. A advogada destacou que, mesmo o policial não morando em Mato Grosso do Sul, a tecnologia e as redes sociais possibilitam contato, e a medida busca garantir a tranquilidade do andamento processual.
- Proibição: Frequentar locais frequentados pelas vítimas
- Distância mínima: 500 metros
- Proibição de contato: Qualquer tipo, inclusive por redes sociais
Defesa alega abalo psicológico e medo de represálias
Segundo a defesa, a família teve muito medo de represálias e de que algo pior acontecesse, o que adiou o pedido de medidas protetivas. “Houve um abalo psicológico muito grande, principalmente por parte das mulheres. Com medo, elas não ficaram em casa e, por cerca de 10 dias, se mantiveram longe de suas residências”, explicou a advogada. Informações apuradas pelo Jornal Midiamax apontam que o policial federal e o amigo, também agente federal envolvido, são do Paraná.
Entenda o caso: agressões em lanchonete após casa noturna
No dia 28 de março de 2026, as vítimas estavam em uma casa noturna em Campo Grande quando o policial teria se aproximado da mulher de forma insistente e indesejada. O rapaz teria se identificado como policial federal para intimidar. Diante da recusa, o policial provocou o filho da vítima. Depois de deixarem a casa noturna, as vítimas foram a uma lanchonete. O policial, acompanhado de outro agente, foi até o local novamente. Imagens de câmeras de segurança mostram um dos policiais dando um tapa na cabeça do rapaz e usando um taser (dispositivo de eletrochoque). Ao defender o filho, a mãe foi agredida com um chute e caiu no chão. A esposa do rapaz levou um tapa no rosto ao tentar socorrer os outros. Os agentes fizeram ameaças de morte contra os envolvidos.
A advogada informou que existem dois processos contra o autor: um criminal, pela violência, e um cível, por danos emocionais e psicológicos. Além disso, há um procedimento administrativo interno na Polícia Federal, ao qual a defesa não tem acesso.
Onde buscar ajuda em Mato Grosso do Sul
Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira funciona 24 horas na Rua Brasília, s/n, no Jardim Imá. O local abriga a Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), Defensoria Pública, Ministério Público, Vara Judicial de Medidas Protetivas, atendimento social e psicológico, alojamento, brinquedoteca, Patrulha Maria da Penha e Guarda Municipal. O telefone é 153.
- Central de Atendimento à Mulher: 180 (24 horas, anonimato garantido)
- Emergência: 190
- Promuse (WhatsApp): (67) 99180-0542
As Delegacias de Atendimento à Mulher (DAMs) no interior estão em Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas. Caso a Polícia Civil atue com negligência, é possível denunciar na Corregedoria da Polícia Civil de MS pelo telefone (67) 3314-1896 ou no Gacep (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial) do MPMS pelos telefones (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.
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