Justiça decreta prisão de tenente-coronel suspeito de ligação com o PCC
O tenente-coronel José Henrique Martins Flores, que atuava no Comando de Policiamento de Área Metropolitano-7 (CPA-M7), responsável pelo patrulhamento da região de Guarulhos, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça Militar Estadual no último sábado. Ele é acusado de organização criminosa armada e exercício ilegal de comércio por oficial.
Flores é apontado como administrador de fato do Grupo AM3, que controlaria empresas de segurança, incluindo uma em nome de seu pai e outra em nome de seu marido, Rafael Freire Bezerra da Silva. Uma delas emitia notas fiscais para pagamentos de serviços de segurança prestados por PMs à empresa de ônibus Transwolff.
Esquema de lavagem de dinheiro
A Transwolff, dirigida por Luiz Carlos Efigênio Pacheco (Pandora) e Cícero de Oliveira (Té), é investigada por lavar dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). A empresa mantinha contratos com a Prefeitura de São Paulo e administrava linhas de ônibus na zona sul da cidade. Em março de 2024, foi alvo da Operação Fim da Linha, que investigou a captura do transporte público pela facção.
As notas fiscais emitidas pelo tenente-coronel eram usadas pelo capitão Alexandre Paulino Vieira, ex-chefe da Assessoria Militar da Câmara dos Vereadores e ex-oficial da Rota, para justificar a prestação de serviços à Transwolff. O capitão foi denunciado pelos mesmos crimes e está preso desde a Operação Kratos, em fevereiro.
Outros policiais envolvidos
Além dos dois oficiais, foram denunciados:
- 2º sargento Alexandre Aleixo Romano Cezário – por organização criminosa;
- 3º sargento Nereu Aparecido Alves – por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Na casa dele, a Corregedoria da PM apreendeu R$ 1,18 milhão em espécie.
O 3º sargento disse que o dinheiro pertencia a um empresário, mas o Ministério Público considerou a versão inverossímil, apontando que ele recolhia valores da empresa de ônibus para repassá-los a transportadoras de valores.
Atuação do esquema de 2020 a 2026
Segundo a acusação, de 2020 a 2026 os policiais participaram de um esquema de proteção a integrantes da direção da Transwolff, mesmo sabendo da ligação deles com o PCC. Os promotores afirmam que os acusados agiram “de forma livre, consciente, estável e permanente, em conjunto com os civis” Pandora e Té. Eles teriam promovido uma organização criminosa “caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, voltada à obtenção de vantagens ilícitas”.
A empresa de ônibus serviria para lavar “recursos provenientes de tráfico de drogas, roubos e outros delitos”. Ao todo, os acusados Pandora, Té e Robson Flares Lopes Pontes teriam ocultado aproximadamente R$ 54 milhões da facção no capital social da empresa.
A reportagem não conseguiu localizar as defesas de Pandora, Té e Pontes, mas todos negaram os crimes em depoimentos.
A engenharia das comitivas no campo
Nas longas viagens de gado pelo Pantanal, o cozinheiro da comitiva (conhecido como "mateiro" ou "gaiato") usava um fogão de chão cavado diretamente na terra, chamado de fogão cocho, para proteger o fogo do vento forte.
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