Maior traficante de armas da AL extraditado pela Argentina passa por audiência em MS
A Argentina extraditou na quarta-feira (9) Diego Hernan Dirisio, apontado como o maior traficante de armas da América Latina, com ligações diretas com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Preso desde fevereiro de 2024, ele passou por audiência de custódia por videoconferência na tarde desta quinta-feira (10), na 3ª Vara Federal de Campo Grande.
Extradição e chegada ao Brasil
A transferência foi coordenada pela Diretoria Geral de Cooperação Policial Internacional da Polícia Federal Argentina. Sob forte esquema de segurança, o criminoso deixou a Argentina em um voo com destino a São Paulo, onde ficou sob custódia da Polícia Federal brasileira.
Segundo a investigação do Ministério Público, Dirisio, junto com sua sócia Julieta Nardi, liderava uma organização criminosa dedicada ao tráfico internacional de armas. Ele atuava como presidente de uma empresa que importava e vendia armas, enquanto Nardi ocupava a vice-presidência.
Tráfico e ligação com facções
Desde 2012, a empresa importou aproximadamente 25 mil armas da Croácia, Turquia, República Tcheca e Eslovênia. As armas entravam legalmente no Paraguai e depois eram contrabandeadas para o Brasil, abastecendo facções como PCC e CV.
A organização usava cambistas informais que operavam entre Paraguai e Estados Unidos para ocultar o rastro do dinheiro. Dirisio e Nardi tinham mandado de prisão internacional desde dezembro de 2023, expedido pela Justiça Federal da Bahia.
Localização e prisão na Argentina
Agentes da Interpol Buenos Aires e Brasília localizaram os foragidos na cidade de Córdoba. Após vigilância secreta, eles foram presos em 2 de fevereiro de 2024. Desde então, Dirisio permaneceu sob custódia na província de Córdoba.
Operação Dakovo e o esquema bilionário
A Operação Dakovo, deflagrada pela Polícia Federal no fim de 2023, revelou um esquema que movimentou mais de 240 milhões de dólares. A investigação apontou a ligação entre empresários, doleiros, políticos e narcotraficantes.
- Volume de armas: 25 mil unidades importadas ilegalmente desde 2012.
- Origem: Croácia, Turquia, República Tcheca e Eslovênia.
- Destino: Facções brasileiras como PCC e CV.
- Valor movimentado: Mais de 240 milhões de dólares.
Dirisio era conhecido como especialista em armamentos pesados e rejeitava calibres considerados ultrapassados. Em uma gravação, afirmou: “Aqui no Rio não usamos mais esse calibre. Tem que ser 9, 40, 45!”.
A logística da organização tinha apoio de autoridades paraguaias ligadas ao controle de entrada de armas no país. Dirisio triangulava a compra e venda de pistolas, fuzis, metralhadoras e munições com licenças duvidosas.
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