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Policial

Traficante de armas do PCC e CV vai ficar preso em Campo Grande após extradição

Argentino extraditado ao Brasil deve responder em presídio federal da Capital, com uso de medicação controlada.
Por Roberto Vieira - Meu MS News
Publicado em 11/09/2026 - 17:46 | Meu MS News
Traficante de armas do PCC e CV vai ficar preso em Campo Grande após extradição
Diego Hernan Dirisio durante a extradição. (Foto: Divulgação, Ministério da Segurança Nacional da Argentina)

Após ser extraditado para o Brasil, Diego Hernan Dirisio, considerado o maior traficante de armas da América Latina, deve cumprir prisão em Campo Grande. Ele está detido desde fevereiro de 2024 e teve audiência de custódia na quinta-feira (10), na 3ª Vara Federal da capital sul-mato-grossense.

O que diz a decisão judicial?

Na audiência, ficou determinado que Diego permaneça em um presídio da Capital, com acompanhamento garantido, já que utiliza medicação controlada. O documento também revela que, mesmo preso, o criminoso tem renda mensal de pelo menos 10 mil dólares.

Conexão com o PCC e Comando Vermelho

Segundo investigação do Ministério Público, Dirisio e sua sócia Julieta Nardi lideravam uma organização criminosa dedicada ao tráfico internacional de armas. A empresa que presidiam importou cerca de 25 mil armas da Croácia, Turquia, República Tcheca e Eslovênia desde 2012. Esses equipamentos entravam legalmente no Paraguai e depois eram contrabandeados para o Brasil, abastecendo facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

A organização também utilizava uma estrutura financeira sofisticada para ocultar o rastro do dinheiro, com pagamentos feitos por cambistas informais que operavam entre o Paraguai e os Estados Unidos.

Como foi a prisão?

Dirisio e Nardi tinham mandado de prisão internacional expedido desde dezembro de 2023, a pedido do Segundo Tribunal Penal Federal da Bahia, pelos crimes de tráfico internacional de armas, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Por meio de troca de informações entre a Interpol Buenos Aires e a Interpol Brasília, agentes da PFA localizaram os dois fugitivos em Córdoba, Argentina. Eles foram presos em 2 de fevereiro de 2024.

Operação Dakovo

No fim de 2023, a Polícia Federal deflagrou a Operação Dakovo, que apontou a ligação entre empresários, doleiros, vendedores de armas, políticos e narcotraficantes. A conexão movimentou mais de 240 milhões de dólares, com Dirisio como elo central na compra de armamentos pesados.

Em uma negociação interceptada, o criminoso rejeitou um revólver 308 e afirmou: “A questão não é o preço, mesmo que você quisesse me dar essa pistola, aqui no Rio não usamos mais esse calibre. Tem que ser 9, 40, 45!”

Diego e Julieta Aranda seriam os principais responsáveis pelo tráfico ilegal de armas na Tríplice Fronteira, com a logística apoiada por autoridades paraguaias ligadas ao controle de armas no país.

  • Armas importadas: aproximadamente 25 mil unidades
  • Países de origem: Croácia, Turquia, República Tcheca e Eslovênia
  • Destino: grupos criminosos no Brasil, com destaque para PCC e CV
  • Valor movimentado: mais de 240 milhões de dólares
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