Demian Maia diz que difundir jiu-jítsu compensou derrotas no UFC
O ex-lutador profissional de MMA Demian Maia, 48 anos, acaba de lançar o livro “Maia-Leão: Disciplina, Coragem e Reinvenção”, pela Editora Alamiré, em coautoria com Mauro Albano. Na obra de 256 páginas, ele revisita momentos marcantes da vida pessoal e da trajetória nas artes marciais, desde as dificuldades financeiras em São Paulo até o auge no UFC.
Derrotas em disputas de cinturão
Demian Maia disputou o título do UFC duas vezes: em 2010, contra Anderson Silva (peso-médio), e em 2017, contra Tyron Woodley (meio-médio). Perdeu ambas por decisão dos árbitros, em lutas equilibradas e sangrentas de cinco rounds. Apesar de não ter alcançado o cinturão, ele se diz realizado profissional e esportivamente.
“É lógico que eu queria ter sido campeão, como fui no jiu-jítsu. Agora, se tivesse sido campeão do UFC, mas não tivesse essa conexão com o jiu-jítsu, essa oportunidade de tentar transformar a vida das pessoas através do jiu-jítsu, ter uma escola grande e ser reconhecido como um ícone do esporte, acho que não teria valido a pena”, afirmou o mestre da arte suave à Folha.
Início tardio e formação em jornalismo
Demian começou no judô na escola, passou pelo kung-fu na adolescência e só iniciou no jiu-jítsu aos 20 anos. Na época, conciliava a prática esportiva com o curso de jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Ele explica que a ideia inicial do livro era ser um guia de lições da luta, mas acabou se aprofundando em aspectos pessoais.
“Minha ideia inicial era fazer um livro de lições do que aprendi com a luta, não era para ser uma biografia. Só que fui vendo que talvez fosse ficar um pouco insosso, e então tentei aprofundar em aspectos mais pessoais mesmo”, disse Maia. Ele também destacou que a formação em jornalismo o ajudou a participar ativamente da produção do texto.
“Acho que a formação em jornalismo me ajudou muito na elaboração do livro, para conseguir falar de igual para igual na produção do texto com as pessoas envolvidas na obra, entender o que elas queriam explicar. Não ser só um agente passivo”, afirmou.
Amizade com Charles do Bronx
Entre as amizades construídas no octógono, Demian cita com carinho Charles do Bronx, que o superou em recordes de finalizações (17 a 11) e de vitórias de brasileiros no UFC (25 a 22). Demian torcia para que Charles não o ultrapassasse por finalização, mas depois celebrou.
“Quando o Charles estava para me passar, torcia para ele nocautear, não finalizar. Mas, depois que ele passou, falei: ‘Está em excelentes mãos’. Esses recordes não poderiam estar com uma pessoa melhor. É um cara muito simples, muito humilde. Ficou muito feliz por ele”, afirmou.
Inspiração no nome do livro
O título “Maia-Leão” é uma referência ao golpe mata-leão do jiu-jítsu, adaptado para as lutas com luvas no UFC. “Queria um nome forte, fácil de pegar. Acho que esse funciona bem né?”, disse o ex-lutador.
O rap de MS invadindo a MTV
O grupo Falange da Rima, cria da periferia de Campo Grande, foi pioneiro em quebrar a bolha do isolamento cultural do Estado. Os caras conseguiram emplacar o clipe pesado de "Circo dos Horrores" direto na grade nacional da antiga MTV Brasil.
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