Em MS, grupo que matou menina de 13 anos tinha hierarquia por violência
Um grupo investigado pela morte de uma adolescente de 13 anos em Naviraí, a 359 km de Campo Grande, operava com uma hierarquia baseada no nível de violência dos atos cometidos. A informação foi divulgada pela delegada Anne Karine Sanches Trevizan, da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), durante coletiva de imprensa na quinta-feira (17).
Grupo usava ‘panelas’ em plataformas digitais
As comunidades virtuais, chamadas de “panelas”, eram abertas em aplicativos como Telegram, Discord, Instagram e Zang. O objetivo era praticar niilismo extremo e violência digital. Segundo a delegada, quanto mais atos violentos um integrante cometia, mais ele subia de cargo na hierarquia do grupo.
- Plataformas utilizadas: Telegram, Discord, Instagram e Zang (para transmissão ao vivo)
- Hierarquia: cargos como dono, subdono e vítimas; promoção baseada em número de vítimas e violência
- Ideologia: ligações com misoginia e nazismo
Vítima foi coagida e transmitiu suicídio ao vivo
No caso da adolescente de Naviraí, duas “panelas” se uniram para formar uma plateia virtual. A menina foi ameaçada com fotos dos pais e coagida a tirar a própria vida. Ela se mutilou e escreveu o nome dos agressores sobre uma Bíblia antes de morrer. A transmissão ocorreu pelo Discord e Instagram.
Adolescentes não demonstram arrependimento
A delegada destacou que os jovens envolvidos têm hábitos noturnos, abandonaram a escola e vivem isolados em seus quartos, sem amigos físicos. Eles não demonstram arrependimento, mas sim satisfação pelos atos. “Existe uma necessidade pela violência”, afirmou Anne Karine.
- Perfil dos adolescentes: trocam o dia pela noite, não frequentam escola, não têm amigos presenciais
- Comportamento: satisfação com a violência, sem remorso
Operação Lívia prendeu 12 pessoas em duas fases
A primeira fase da Operação Lívia ocorreu em 4 de agosto. A segunda fase, deflagrada em 15 de outubro, cumpriu seis mandados de busca e apreensão em estados como Bahia, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. Ao todo, 12 pessoas foram presas, incluindo adolescentes de 13 a 17 anos. Um adolescente de 17 anos de Aquidauana (MS) integrava o grupo.
As investigações continuam para identificar outros possíveis participantes. O diretor do Departamento de Polícia Especializada (DPE), Ivan Barreira, afirmou que espera dar sequência aos trabalhos para esclarecer todos os envolvidos.
O rap de MS invadindo a MTV
O grupo Falange da Rima, cria da periferia de Campo Grande, foi pioneiro em quebrar a bolha do isolamento cultural do Estado. Os caras conseguiram emplacar o clipe pesado de "Circo dos Horrores" direto na grade nacional da antiga MTV Brasil.
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