Operações policiais revelam elo de delegado e agentes com tráfico em MS
A sequência de operações contra o tráfico em Mato Grosso do Sul expôs o envolvimento de servidores das forças de segurança, incluindo um delegado da Polícia Civil. As investigações, conduzidas pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), culminaram na Operação Infiltrados, deflagrada nesta semana, que prendeu 13 pessoas.
Investigação começou em 2025
Segundo o Gaeco, os trabalhos tiveram início em outubro de 2025, a partir de elementos colhidos nas operações Traquetos e Blindspot. O delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa foi um dos alvos. Ele já comandou a Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico).
Defesa diz que delegado está surpreso
O advogado Amilton Ferreira, que representa o delegado, afirmou que o servidor não entende o motivo da prisão. “Está muito surpreso, não está entendendo nada do que aconteceu. Mas logo a gente vai saber quais são as acusações”, declarou.
Lista de presos na Operação Infiltrados
- Delegado: Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa (Polícia Civil)
- Policiais civis: Douglas Tobias, Neverson Vieira de Araújo, Luiz Carlos de Souza, Nelson Ricardo Barros de Oliveira, Nilton César Sales dos Santos
- Policial militar: Alison Lemes Bezerra
- Ex-policial civil: Augusto Torres Galvão Florindo
- Policial penal: Vitor Ribeiro Venancio dos Santos (já estava preso)
- Acusados de tráfico: Lucas da Silva dos Santos (vulgo LK), Valdenice da Silva Goes (mãe de LK), Ana Carolina da Silva dos Santos (irmã de LK), Wesley Benites
Esquema de desvio e revenda de cocaína
As investigações apontam que policiais civis, penais e militares atuavam em conjunto com traficantes. Alguns monitoravam depósitos de drogas para simularem apreensões e depois revenderem o entorpecente. Em 2022, após a apreensão de 326 quilos de cocaína, os policiais Neverson Vieira, Nilton César e Roberto Palmeira teriam recebido a droga na Denar. Edmilson Santos Pereira, apontado como líder, teria orientado LK a “viabilizar a aquisição dessa droga”.
Entre maio e junho de 2025, o policial penal Vitor Venâncio, LK e dois policiais militares monitoraram um galpão para apreender e revender a droga. Os servidores também checavam veículos nos sistemas oficiais e colocavam rastreadores (‘carrapato’) nos carros dos traficantes.
Operações anteriores
Operação Blindspot
Em julho de 2024, o Gaeco deflagrou a Blindspot, que revelou uma quadrilha especializada na apreensão e revenda de cocaína. Edmilson Santos Pereira, com amizade íntima com um policial penal, foi apontado como líder.
Operação Traquetos
Em 2023, a segunda fase da Traquetos mirou um ‘investidor’ que financiou R$ 1 milhão no tráfico. A organização criminosa levava drogas de Bela Vista e Ponta Porã para Bahia, Goiás e São Paulo, com pontos de apoio em Campo Grande, Anastácio e Aquidauana. Foram cumpridos 18 mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão.
Reação da Sejusp
Após a Operação Infiltrados, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou que os servidores já eram investigados pelas corregedorias e que três dos alvos haviam sido presos anteriormente. Um deles foi exonerado recentemente.
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