Delegado líder de esquema planejava usar caminhão Sedex para desviar cocaína
Uma organização criminosa que desviava cocaína apreendida e a revendia em Mato Grosso do Sul planejava usar um caminhão dos Correios para transportar a carga ilícita. Imagens do veículo chegaram a ser compartilhadas entre os envolvidos. O delegado Hoffman D’Ávila, preso e apontado pelo Gaeco como líder do esquema, teria articulado a logística.
Plano de usar veículo oficial dos Correios
De acordo com a investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), o traficante Lucas da Silva dos Santos, conhecido como ‘LK’, discutiu com dois homens não identificados a possibilidade de utilizar um caminhão vinculado ao serviço Sedex. A ideia inicial era que um homem chamado Rafael fizesse o transporte, mas ele foi descartado para evitar consequências caso o plano falhasse.
Preocupação com rastreamento e logística
Em áudios interceptados, os suspeitos demonstraram preocupação com o rastreamento do veículo dos Correios e sugeriram verificar previamente o sistema. Um dos envolvidos propôs estacionar o caminhão em frente à residência de um policial do grupo para gerar confiança. A intenção era transportar até 150 kg de cocaína, o que renderia cerca de R$ 50 mil aos integrantes.
- Transporte: Caminhão Sedex dos Correios foi cogitado para evitar custos fixos de mensalidade a motoristas.
- Alternativa descartada: Um motorista de carreta cobraria R$ 30 mil por mês mais R$ 10 mil por viagem, proposta recusada por LK.
- Mudança de plano: Em conversas posteriores, o caminhão dos Correios foi abandonado e uma carreta voltou a ser opção.
Operação Infiltrados: esquema de desvio de drogas
A Operação Infiltrados, do Gaeco, investigou o desvio de cocaína apreendida por agentes de segurança. Segundo o MPMS, parte da droga era omitida dos registros ou retirada de depósitos policiais e repassada a traficantes. A investigação começou em outubro de 2025, a partir de provas das operações Traquetos e Blindspot.
Foram cumpridos 24 mandados de prisão preventiva, dois temporários e 38 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos. O delegado Hoffman D’Ávila, titular da Denar, é apontado como comandante do esquema, que gerou enriquecimento ilícito. Os policiais civis atuavam de forma organizada com traficantes para definir entregas e pagamentos.
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