OAB-MS vai apurar prisão de advogado por suspeita de vazar operação
A Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso do Sul (OAB-MS) anunciou que adotará medidas legais contra o advogado Amilton Ferreira, preso nesta terça-feira (29) em Campo Grande sob suspeita de vazar informações da Operação Infiltrados. A investigação, conduzida pelo Gaeco, apura um esquema de desvio de drogas envolvendo policiais civis.
Entenda a suspeita contra o advogado
De acordo com o Ministério Público Estadual (MPMS), há evidências de que o advogado teria comunicado criminosamente a ação policial a um cliente, atrapalhando as investigações. O MPMS afirma que a conduta se enquadra no conceito de Obstructio, termo latino que remete à obstrução da Justiça.
A defesa de Amilton nega as acusações. A advogada Damares Machado afirmou ao Jornal Midiamax que o cliente ficou surpreso com a prisão e que não houve vazamento de informações. “Ele nega. Se tivesse alertado o cliente, isso não seria crime, pois é inerente à profissão”, disse.
Preso passou por exames e foi levado ao Presídio Militar
Após a prisão, Amilton foi encaminhado à Depac-Cepol e, em seguida, ao Instituto Médico Legal (IML) para exame de corpo de delito. Ele foi transferido para o Presídio Militar Estadual (PME), onde permanecerá temporariamente.
Na mesma ação, o Gaeco cumpriu dois mandados de busca e apreensão na capital sul-mato-grossense.
A Operaçāo Infiltrados e o papel do delegado
A Operação Infiltrados investiga um esquema de desvio de drogas, principalmente cocaína, por agentes de segurança pública. Conforme o MPMS, o grupo criminoso omitia parte da droga apreendida dos registros oficiais e a repassava a traficantes para reintroduzi-la no mercado ilegal.
A investigação aponta que o delegado de polícia, alvo da operação, ocupava posição de comando no esquema. Em áudios obtidos pelo Gaeco, ele é citado pelo apelido “Careca” e aparece dando ordens sobre o monitoramento de cargas de drogas.
As investigações começaram em outubro de 2025, a partir de provas das operações Traquetos e Blindspot. Até o momento, foram cumpridos 24 mandados de prisão preventiva, 2 temporárias e 38 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.
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