Justiça nega liberdade a advogado suspeito de vazar dados do Gaeco
O Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul manteve a prisão do advogado Amilton Ferreira de Almeida durante audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (30) em Campo Grande. Amilton foi preso na terça-feira (29) após ser alvo de mandado de prisão temporária expedido pelo Gaeco por suspeita de vazar informações sigilosas da Operação Infiltrados.
Defesa nega provas e promete habeas corpus
A defesa de Amilton, representada pelas advogadas Damares Machado e Larissa Almeida Tobaru, informou que o pedido de liberdade e relaxamento de prisão não foi acatado pelo juiz na audiência de custódia. O magistrado alegou não ser competente para apreciar o pedido. “Não há provas concretas que fundamentem a prisão, não há prova nenhuma do suposto vazamento de informações”, afirmou Damares ao Jornal Midiamax. A defesa agora vai recorrer com um pedido de habeas corpus.
Advogados protestam contra prisão no Fórum
Um grupo de cerca de 30 advogados criminalistas se reuniu no Fórum Heitor Medeiros para manifestar apoio ao colega. O advogado Cristiano Alves classificou o caso como mais um exemplo de “criminalização da advocacia criminal”. “Está tendo uma violação do sigilo profissional entre cliente e advogado”, criticou Cristiano. A OAB-MS informou que irá adotar as medidas cabíveis e instaurará um procedimento disciplinar.
Desdobramento da Operação Infiltrados
A prisão do advogado ocorreu durante a Operação Obstructio, um desdobramento da Operação Infiltrados. Amilton representava a defesa do delegado Hoffman D’Ávila Candido e Souza, apontado como chefe do esquema de desvio de drogas na Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico).
Esquema investigado pelo Gaeco
A Operação Infiltrados, conduzida pelo Gaeco, investiga um esquema de desvio de drogas apreendidas por agentes de segurança, principalmente cocaína. Segundo o MPMS, os entorpecentes eram omitidos dos registros ou retirados dos depósitos policiais para retornar ao mercado ilegal.
- Omissão: parte da droga apreendida não era registrada oficialmente
- Subtração: entorpecentes retirados diretamente do depósito da delegacia
- Reinserção: droga era repassada ao traficante Lucas da Silva dos Santos, o ‘LK’
A investigação começou em outubro de 2025 e aponta que o esquema ocorria entre 2021 e 2026. A operação cumpriu mandados em várias cidades:
- 24 mandados de prisão preventiva
- 2 mandados de prisão temporária
- 38 mandados de busca e apreensão
Após a audiência de custódia, Amilton foi encaminhado ao Presídio Militar Estadual (PME), onde permanecerá detido.
Muita terra, pouca gente
Apesar de ser enorme, o MS tem imensos "vazios populacionais". Dos seus 79 municípios, apenas 23 conseguem ultrapassar a marca dos 20 mil habitantes. A maior parte do território é dominada por grandes propriedades rurais.
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