Delegado preso por desvio de drogas pede prisão domiciliar: ‘perdi vontade de ser policial’
O delegado Hoffman D’Ávila Candido e Souza, apontado como chefe do esquema de desvio de drogas da Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico), passou por oitivas do GAECO na tarde desta segunda-feira (5) e, por meio de sua defesa, pediu a conversão da prisão preventiva em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.
O advogado José Roberto Rosa, que acompanha o delegado junto com outros três advogados, afirmou que o cliente perdeu a vontade de ser policial. “Ele falou para mim: ‘não sinto mais nenhuma vontade’. A família está desestruturada. Ele, de uma pessoa que realizava prisões, passou a ser ele o prisioneiro”, relatou.
Defesa questiona provas e pede revogação
Segundo os advogados, a prisão não é mais necessária e as provas são frágeis. Eles pedem que o delegado seja solto com monitoramento eletrônico. “Independentemente do que foi dito aqui, o Ministério Público já formou uma convicção, mas a inocência dele será provada na ponta da caneta”, disse Rosa.
A defesa alega que o delegado colaborou com a investigação e compareceu espontaneamente à delegacia no dia da operação. O principal ponto questionado é a suposta ligação entre uma falha administrativa (apreensão de celulares não enviados imediatamente à perícia) e a participação no esquema de desvio.
Advogado anterior também foi preso
O advogado Amilton Ferreira de Almeida, que defendia Hoffman inicialmente, foi preso no dia 30 de setembro durante a Operação Obstructio, suspeito de vazar informações sobre a operação. A defesa de Amilton nega que ele tenha alertado o cliente. “Ele não teve essas informações; ninguém avisou ele sobre nada. A suspeita surgiu pela experiência da profissão”, afirmou a advogada Damares Machado.
Operação contra policiais civis
A operação foi deflagrada pelo GAECO no dia 24 de setembro e cumpriu:
- 24 mandados de prisão preventiva;
- 2 mandados de prisão temporária;
- 38 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.
Foram presos nove policiais civis, dois policiais militares e um policial penal. Entre os alvos, estão um delegado (que não foi encontrado), investigadores, ex-investigador e PMs.
Esquema de desvio de cocaína
As investigações começaram em outubro de 2025, a partir das operações Traquetos e Blindspot. O modus operandi consistia em desviar drogas apreendidas, omitindo parte do registro ou subtraindo entorpecentes do depósito da delegacia. A droga era repassada para traficantes, que a reintroduziam no mercado ilícito.
Os policiais envolvidos usavam suas funções no combate ao crime para atuar como fornecedores do tráfico, segundo a investigação.
O pacto dos fazendeiros
A famosa lenda do "Cramulhão da Garrafa" diz que grandes fazendeiros enriqueceram a fazer pactos demoníacos. Na verdade, psicólogos e historiadores explicam que este mito urbano nasceu da tensão social perante o enriquecimento rápido e desigual do agronegócio na região.
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