Operação ‘Pix Sujo’ apura desvio de R$ 18 milhões em hospital de Sidrolândia
O Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) e o Gaeco (Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado) deflagraram, na manhã desta quarta-feira (7), a segunda fase da Operação Dirty Pix — batizada como ‘Pix Sujo’. As investigações apontam que um grupo liderado pelo presidente do Hospital Municipal Beneficente Elmíria Silvério Barbosa desviou mais de R$ 18 milhões em recursos públicos.
Os valores eram destinados à compra de equipamentos hospitalares, materiais para UTI móvel e reformas no hospital. Além do presidente da instituição, foram presos um ex-assessor e articulador político, além de uma policial civil que foi candidata a vereadora nas Eleições 2024 e terminou como suplente.
Mandados e alvos da operação
As equipes cumpriram 25 mandados de busca e apreensão nos municípios de Campo Grande, Sidrolândia, Maracaju e Selvíria. Um dos alvos foi o escritório da contadora que atua como gestora de contratos do hospital.
A investigação começou a partir de desvios de R$ 5,4 milhões identificados no ano passado, referentes à compra de um aparelho de ressonância magnética e uma autoclave hospitalar, recursos de um convênio com o Estado. A partir daí, o Gaeco ampliou a apuração e descobriu fraudes em outros convênios.
Como funcionava o esquema
Segundo as investigações, o grupo atuava com a elaboração de planos de trabalho fraudulentos, com superfaturamento de bens e serviços, e direcionamento de contratações para empresas previamente alinhadas. O Gecoc apurou que os recursos desviados eram distribuídos por meio de movimentações financeiras para agentes públicos e intermediários. O grupo também tentava obstruir as investigações em curso.
Primeira fase da operação
A primeira fase da Operação Dirty Pix ocorreu em 18 de novembro de 2025 e mirou um suposto esquema de desvio de recursos e pagamento de propina via Pix em Sidrolândia. O caso teve origem em um convênio de 2022 entre o Governo de Mato Grosso do Sul e a Sociedade Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa. Na ocasião, foram cumpridos 18 mandados em Sidrolândia e Manaus, tendo como alvos políticos, empresários e o então presidente do hospital.
Na primeira fase, a vice-prefeita Cristina Fiúza foi levada à delegacia após a localização de maconha em sua residência, enquanto Jacob Breure foi conduzido por porte ilegal de arma. A investigação apontou que parte do desvio de R$ 5,4 milhões foi repassada via Pix para vereadores e para o presidente da instituição como vantagens indevidas.
Posicionamentos
A reportagem tentou contato com o advogado do presidente do hospital, mas não obteve retorno. Também buscou posicionamento do hospital e da prefeitura de Sidrolândia, sem sucesso. O espaço segue aberto para manifestações.
O perigo da Hidrovia
As obras e intervenções para aumentar a navegação de grandes navios de carga no rio Paraguai (a chamada Hidrovia Paraná-Paraguai) ameaçam causar danos irreversíveis ao Pantanal. É o choque direto entre a logística de exportação e a maior área húmida do planeta.
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