Líder do PCC Mijão, foragido na Bolívia, pode ser extraditado aos EUA
Um dos principais chefes do PCC, Sérgio Luiz de Freitas Filho, o ‘Mijão’, pode ser extraditado para os Estados Unidos. Ele foi condenado por tráfico de drogas em Mato Grosso do Sul e está foragido na Bolívia.
A extradição de criminosos do PCC escondidos na Bolívia para os EUA ganhou força em setembro, quando o presidente Donald Trump assinou o Acordo Escudo das Américas, em conjunto com 14 países da América Latina, conforme divulgou o UOL nesta terça-feira (13). Brasil e México não aderiram ao acordo.
Acordo amplia cooperação internacional contra o PCC
De acordo com a reportagem do UOL, o acordo inclui:
- Compartilhamento de inteligência entre os países participantes;
- Operações militares coordenadas com foco no combate ao narcotráfico;
- Sanções a organizações criminosas, como PCC e Comando Vermelho, citados entre os 24 alvos.
O delegado Fábio Pinheiro Lopes, diretor do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope) de São Paulo, afirmou ao podcast ‘True Crime’ que líderes do PCC foragidos na Bolívia poderão ser extraditados aos Estados Unidos caso sejam presos.
Foragido na Bolívia há mais de 10 anos
Mijão vive em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, há mais de uma década. Ele está na lista vermelha da Interpol e é um dos principais suspeitos da tentativa frustrada de matar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, de Campinas (SP).
Investigações do Ministério Público de São Paulo (MPSP) apontam que o criminoso mantém uma rotina de luxo em condomínios fechados, com muros altos e segurança reforçada. Ele usaria documentos falsos e atuaria para fortalecer a estrutura internacional de tráfico de drogas da facção.
Além de Mijão, outros membros do PCC também são procurados:
- Silvio Luiz Ferreira, o ‘Cebola’;
- Décio Gouveia Luís, o ‘Décio Português’;
- Patric Uelinton Salomão, o ‘Forjado’.
Alguns deles também estão na lista da Interpol.
Condenação em MS por tráfico de cocaína
Mijão tem ligação antiga com Mato Grosso do Sul. Em abril de 2023, ele foi condenado a 8 anos e 2 meses de prisão por tráfico de drogas. O caso envolve 58 quilos de cocaína apreendidos em 2013 na Base Operacional da Polícia Rodoviária em Amandina, distrito de Ivinhema.
As investigações apontaram que a droga seria levada para abastecer pontos de venda ligados ao PCC em São Paulo. O Ministério da Justiça também aponta Sérgio Luiz de Freitas Filho como responsável por negociações de compra de cocaína e pasta base na Bolívia e pela logística para levar a droga ao Brasil.
Em São Paulo, ele é investigado por suspeita de participação na articulação de um plano para matar o promotor Amauri Silveira Filho. Conforme o MPSP, Mijão integra a ‘sintonia final’, núcleo responsável pelas principais decisões da organização criminosa.
Prisões recentes reforçam cerco a foragidos
A cooperação entre as forças policiais da Bolívia e dos Estados Unidos já resultou na captura de integrantes da facção em Santa Cruz de La Sierra. Em setembro, Roberto Prieto Filho, o ‘Betinho da Baixada’, e Márcio Barbosa da Silva, o ‘Beiço de Mula’, foram presos em uma operação com participação de autoridades brasileiras, bolivianas e norte-americanas.
Para Mijão, que segue foragido, uma eventual captura pode abrir caminho para a extradição e para que ele responda perante a Justiça dos Estados Unidos. Até o momento, não há pedido oficial de extradição norte-americano contra ele.
O festival de ir para o mato
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