Faccionado do CV admite participação em morte de ex-militar em Jardim
Um suspeito integrante do Comando Vermelho (CV) foi preso na manhã de domingo (18), em Guia Lopes da Laguna. A cidade fica a 234 quilômetros de Campo Grande. Ele confessou participação na morte de Darley Matos Mendes, ocorrida em Jardim.
Darley foi morto a tiros no quintal de casa, na Vila Panorama, enquanto tomava tereré com familiares. Dois homens chegaram ao local em uma bicicleta, se aproximaram da vítima e efetuaram diversos disparos.
Suspeito do CV confessou participação no crime
A equipe da Força Tática do 11º BPM (Batalhão da Polícia Militar) iniciou diligências logo após o crime. Os policiais localizaram os suspeitos em uma chácara de difícil acesso, cercada por área pantanosa e mata fechada.
Um dos homens tentou fugir, mas foi alcançado e abordado. Ele sofreu apenas escoriações leves. Na ocasião, o suspeito declarou ser integrante do CV e confessou participação no assassinato de Darley. Ele afirmou que efetuou quatro tiros contra a vítima.
Outro suspeito, conhecido como “Matemático”, teria atirado três vezes contra a vítima e fugido pela mata.
Armas, drogas e moto paraguaia apreendidas
Durante as diligências, os militares encontraram uma bicicleta e um aparelho celular relacionados ao crime. Em uma casa vinculada a outro suspeito, os policiais acharam outros materiais:
- Armas de fogo e mais celulares;
- Drogas que seriam entregues por delivery;
- Moto de origem paraguaia, usada para pichações do CV.
A equipe também identificou duas mulheres, uma delas não localizada, e um homem. Os policiais apreenderam o material e levaram os suspeitos à delegacia. A Força Tática fez um cerco para tentar localizar os demais envolvidos.
Ex-militar tinha condenação por matar tenente
Documentos do Superior Tribunal Militar (STM), datados de 2018, apontam que Darley era ex-cabo do Exército. Ele havia sido condenado a 24 anos de prisão, em regime inicialmente fechado.
Ele respondia por homicídio qualificado praticado em 12 de julho de 2017. O crime ocorreu nas dependências da 4ª Companhia de Engenharia de Combate, em Jardim. Segundo o tribunal, Darley usou uma faca de açougueiro com lâmina de 15 cm. Ele desferiu 11 golpes contra o primeiro-tenente Demétrio Gomes de Jesus, seu superior na hierarquia do Exército.
O crime, conforme registros do STM, teve como motivação um “ciúme doentio e desproporcional”. Darley alegou que esfaqueou o tenente por causa de mensagens que a vítima estaria enviando para a sua esposa. Ele confessou que já havia pensado em matar o ofendido diversas vezes antes do crime.
O ataque só parou porque outros militares intervieram ao ouvir os pedidos de socorro. O processo militar relata que o ato ocorreu com sadismo, requintes de perversidade, motivo torpe, surpresa e meio cruel. A ação impôs sofrimento desnecessário à vítima.
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