Gaeco denuncia delegado por desviar cocaína em operações policiais
O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) protocolou denúncia contra o delegado Hoffmann D’Ávila Cândido e Sousa e outros 22 investigados. Eles são acusados de integrar organização criminosa que desviava entorpecentes apreendidos em operações policiais para revendê-los no mercado ilegal.
Esquema de desvios na Polícia Civil
Segundo a denúncia, Hoffmann chefiava a Denar e usava a estrutura da corporação para viabilizar o esquema. As drogas eram desviadas de duas formas: sem registro oficial de parte das apreensões ou retiradas diretas do depósito da delegacia.
- Desvio 1: Falta de registro de parte da droga apreendida
- Desvio 2: Retirada direta do depósito da delegacia
Apreensão de cocaína em Bela Vista
Em 21 de maio de 2024, a Denar apreendeu 643 kg de cocaína em Bela Vista, na fronteira com o Paraguai. A carga foi avaliada em R$ 15 milhões. Investigações apontam que a carga original era de cerca de 1 tonelada, com desvio suspeito de 400 kg.
- Apreensão oficial: 643 kg de cocaína
- Estimativa real: 1 tonelada
- Desvio suspeito: 400 kg
- Valor: R$ 15 milhões
Áudios incriminam envolvidos
A denúncia inclui conversas gravadas que mostram negociação de drogas desviadas. Em um caso, Lucas da Silva dos Santos, apelidado “LK”, discute com um policial o desvio de 20% de uma carga de maconha de 793 kg. Hoffmann é referido como “Careca” e tido como líder do esquema.
Evolução patrimonial e suspeitas
A acusação destaca a construção de uma mansão em condomínio de alto padrão em Campo Grande. O patrimônio declarado por Hoffmann saltou de R$ 100 mil em 2023 para R$ 1,2 milhão em 2026. Gastos de R$ 196 mil com eletrodomésticos em 2025 são apontados como incompatíveis com a renda lícita. Um empréstimo de R$ 750 mil é questionado como simulado.
Denúncia inclui 23 acusados
Além do delegado, a denúncia alcança policiais civis, um policial penal e traficantes. Dois policiais militares serão julgados na Justiça Militar. O Gaeco pede indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos. A operação Infiltrados foi deflagrada em setembro de 2026.
- Acusados: 23 pessoas, incluindo policiais e traficantes
- Indenização pedida: R$ 10 milhões
- Operação: Infiltrados, em setembro de 2026
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