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Estado

MPMS investiga suspeitas de irregularidades no IPTU de Adriane Lopes

Ministério Público de Mato Grosso do Sul abriu inquérito para apurar cobrança indevida do IPTU de imóveis da prefeita de Campo Grande.
Por Camila Duarte - Meu MS News
Publicado em 19/10/2026 - 12:13 | Meu MS News
MPMS investiga suspeitas de irregularidades no IPTU de Adriane Lopes
Carnê do IPTU 2026 de Campo Grande. (Pietra Dorneles, Jornal Midiamax)

O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) instaurou inquérito civil para investigar possíveis irregularidades na cobrança do IPTU de imóveis da prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP). A investigação é conduzida pelo promotor Humberto Lapa Ferri, da 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social. O procedimento tramita sob sigilo e exige senha para acesso.

Investigação corre em paralelo a ação popular

A abertura do inquérito pelo MPMS ocorre ao mesmo tempo em que tramita uma ação popular contra a Prefeitura de Campo Grande por suposta omissão administrativa. A denúncia aponta que a mansão da prefeita e de seu marido, o deputado estadual Lídio Lopes (Avante), estaria edificada sobre dois terrenos — um lote privado e uma antiga praça pública adquirida pela família em 2012. A área estaria cadastrada irregularmente para reduzir a carga tributária, além de suposta manipulação do PSEI (Perfil Socioeconômico Imobiliário) para baratear a taxa do lixo na região.

Decisão judicial nega liminar por falta de provas

Apesar das acusações, as movimentações judiciais mais recentes foram favoráveis à gestora. O juiz Ariovaldo Nantes Corrêa, da 1ª Vara de Direitos Difusos, negou o pedido de liminar que exigia revisão imediata do cadastro e dos tributos. O magistrado destacou que os documentos apresentados pela defesa comprovam a cobrança regular de IPTU na modalidade “Predial” e que não há indícios suficientes de invasão do lote correspondente à antiga praça, tributado avulsamente com alíquota de 3,5%.

A decisão seguiu o parecer da 49ª Promotoria de Justiça, que recomendou o indeferimento por falta de provas concretas e urgência. Em sua defesa, o Município e a prefeita comprovaram o recolhimento anual de mais de R$ 16,6 mil em impostos e taxas pelos dois imóveis. Argumentaram que a unificação dos lotes reduziria a alíquota geral, inexistindo vantagem financeira ou lesão ao erário.

Defesa pede exclusão de ex-secretária

A Procuradoria-Geral do Município solicitou a exclusão de Kátia Silene Sarturi Warde, ex-secretária da Semadur (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano), do polo passivo da ação. O argumento é que ela foi exonerada em dezembro de 2024, meses antes dos decretos e lançamentos tributários de 2026 questionados pelo autor.

Caso também atingiu campanha eleitoral do marido

O imóvel no Carandá Bosque III também esteve envolvido em denúncia eleitoral contra a campanha do deputado Lídio Lopes. A ação o acusava de ocultação de bens, apontando que a mansão tem valor venal de R$ 1,16 milhão para fins de IPTU, enquanto o deputado declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio total de apenas R$ 562,3 mil. O TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul), no entanto, extinguiu a Ação de Investigação Judicial Eleitoral contra o deputado, reeleito em outubro. O desembargador Luiz Tadeu Barbosa Silva argumentou falta de provas sólidas e de especificações sobre os crimes apontados.

A reportagem acionou a Prefeitura de Campo Grande para obter posicionamento da gestora e aguarda retorno.

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