Traficante pedia ‘arruma mais 30 kg’ em negociação com policiais
Conversas obtidas pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) revelam suposta negociação entre um traficante e policiais civis para desviar parte de uma grande apreensão de maconha. O diálogo, citado na denúncia contra o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa e outros investigados, mostra um acordo para repassar 20% dos entorpecentes apreendidos.
Diálogo aponta desvio de 160 quilos
Segundo o documento apresentado à Justiça em 9 de outubro e obtido pelo Midiamax, a conversa envolve o traficante Lucas da Silva dos Santos, conhecido como “LK”, e está relacionada a uma apreensão de 793 quilos de maconha realizada em maio de 2024. Na conversa, Lucas afirma que já havia procurado um policial civil para tratar do repasse. O combinado, segundo a interpretação dos investigadores, seria desviar 20% da droga – o que corresponderia a aproximadamente 160 quilos.
O diálogo também traz o pedido de um interlocutor não identificado para que Lucas negocie com os policiais a entrega de mais 30 quilos da droga. “Então, mané, você acelera os caras lá, mané, vê se arruma pelo menos mais umas 30”, diz um trecho atribuído ao interlocutor. O objetivo, segundo a transcrição, seria repassar uma quantia maior a uma pessoa chamada de “guri”, que estaria fornecendo informações sobre depósitos de entorpecentes.
Gaeco aponta delegado como chefe do esquema
A denúncia atribui a Hoffman, que chefiou a Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico), a responsabilidade de comando no suposto esquema. Para o Gaeco, a posição hierárquica do delegado e o acesso ao depósito de drogas sustentam a suspeita de participação dele. O documento afirma que Hoffman teria autorizado a retirada de parte de uma apreensão de maconha registrada em maio de 2024.
O Gaeco ressalta que a existência do diálogo, por si só, não comprova que os 160 quilos tenham sido efetivamente retirados ou repassados. A análise ainda precisa ser examinada no processo judicial.
Denúncia atinge 23 pessoas e pede indenização milionária
A denúncia apresentada em 9 de outubro descreve um suposto esquema de desvio de entorpecentes apreendidos em operações policiais e posterior devolução das drogas ao mercado ilegal. Hoffman é apontado pelo Gaeco como uma das principais figuras do grupo, que inclui outros policiais.
Os crimes atribuídos são: organização criminosa, tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro, além de suspeitas de interferência em investigação criminal. O Gaeco pede a condenação dos denunciados e indenização de R$ 10 milhões a título de danos morais coletivos.
Defesa do delegado nega participação
A defesa de Hoffman, feita pelo advogado José Roberto Rosa, afirma que as provas serão questionadas durante a instrução processual. “Infelizmente, há indicações de que pessoas que agiam sob o comando do delegado teriam, de alguma forma, agido contra a lei, mas não há indicação direta de participação dele, a não ser recortes com indicações e suposições de que ele teria aderido a essa conduta”, afirmou Rosa.
O advogado destacou que as provas serão contestadas e demonstrou confiança no resultado. “Temos certeza de que, ao final, a verdade vai prevalecer e vai ficar demonstrado que o delegado não teve qualquer participação nesses eventos”, declarou.
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