Advogado tem prisão anulada pelo STJ e defesa pede fiança de volta
A defesa do advogado Amilton Ferreira, preso por conversar com o cliente, obteve do STJ decisão que considera ilegal sua prisão e pede a devolução da fiança de R$ 48,6 mil.
O advogado de 60 anos estava detido desde 29 de setembro de 2026, acusado de vazar informações sobre a Operação Infiltrados para seu cliente, um delegado investigado. A prisão temporária foi revogada pela Justiça no início da tarde de segunda-feira (19), com fiança e monitoramento eletrônico. Horas depois, o STJ determinou o relaxamento total, sem quaisquer medidas cautelares, por considerar a prisão ilegal.
Decisão do STJ
Segundo a advogada Damares Machado, a decisão do STJ chegou quando Amilton já estava com a tornozeleira eletrônica instalada. “Passamos para o pessoal do monitoramento, mas eles não podiam dar cumprimento porque precisavam receber de maneira oficial”, explicou. A defesa então se manifestou ao juiz da causa e agora aguarda a retirada do equipamento e a devolução do valor pago. “Acredito que deve acontecer entre hoje e amanhã”, afirmou Damares.
Ela destacou que a ilegalidade vinha sendo apontada desde a audiência de custódia. “Não existe uma única prova concreta da acusação. Precisou do STJ reconhecer essa ilegalidade”, declarou.
Apoio de advogados criminalistas
Cerca de 30 advogados se reuniram no Fórum Heitor Medeiros em apoio ao colega. O advogado Cristiano Alves criticou a criminalização da advocacia criminal. “A advocacia sul-mato-grossense e brasileira está indignada com essa prisão”, disse.
Operação Infiltrados
A Operação Infiltrados, do Gaeco, investiga desvio de drogas apreendidas por policiais civis em Mato Grosso do Sul. O esquema, ativo entre 2021 e 2026, envolvia omissão e subtração de cocaína dos depósitos policiais, com posterior repasse a traficantes para retorno ao mercado ilegal.
- Mandados: 24 prisões preventivas, 2 temporárias e 38 buscas e apreensões em Campo Grande, Dourados e Terenos.
- Advogado alvo: Amilton foi detido na Operação Obstructio, suspeito de vazar ordens judiciais sigilosas para o cliente, o delegado Hoffman D’Ávila, um dos principais alvos.
- Posição judicial: O juiz entendeu que prerrogativas profissionais não autorizam vazamento ilícito, mas, com a denúncia já apresentada, medidas alternativas foram consideradas suficientes.
A defesa confia a retirada da tornozeleira e a devolução da fiança nos próximos dias.
O motor das águas
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