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Policial

Policial homenageado por ética é preso sob acusação de ajudar traficante

Acusado de desviar drogas apreendidas, policial civil é preso pelo Gaeco 23 dias após receber homenagem por ética.
Por Roberto Vieira - Meu MS News
Publicado em 20/10/2026 - 08:13 | Meu MS News
Policial homenageado por ética é preso sob acusação de ajudar traficante
Policial civil Nilton Santos (esquerda) recebe homenagem na Câmara de Ponta Porã (Divulgação)

O policial civil Nilton Cesar Sales dos Santos foi preso na Operação Infiltrados por suspeita de integrar um esquema que desviava drogas apreendidas. Apenas 23 dias antes, em 1º de setembro, ele havia sido homenageado pela Câmara Municipal de Ponta Porã durante sessão solene do vereador Marcelino Nunes (PP). A homenagem reconhecia seu compromisso, ética e dedicação, mas a contradição veio com a prisão pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Homenagem e prisão

A denúncia afirma que Nilton e outros três policiais mantiveram em depósito, ofereceram, remeteram e transportaram parte de 326 kg de cocaína apreendidos em ocorrência anterior. A investigação também menciona mensagens do traficante Lucas da Silva dos Santos, conhecido como LK, nas quais ele indicava que recorria a Nilton para monitorar um depósito de drogas que o grupo planejava roubar.

Esquema de desvio de drogas

O Gaeco detalhou que o esquema funcionava de duas formas: policiais deixavam de registrar oficialmente parte dos entorpecentes ou retiravam drogas diretamente do depósito da delegacia. O entorpecente era repassado a traficantes e o lucro dividido entre os integrantes.

  • Subnotificação: cargas apreendidas não eram totalmente registradas.
  • Retirada direta: drogas eram removidas do depósito e comercializadas.

Defesa e denúncia ampliada

O juiz Eduardo Eugênio Siravegna Junior negou o pedido de revogação da prisão de Nilton. A defesa, feita pelo advogado João Paulo Calves, não respondeu aos pedidos de comentário. Paralelamente, o Gaeco denunciou 23 pessoas, incluindo o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, por organização criminosa, tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro. A denúncia pede R$ 10 milhões em danos morais coletivos. O advogado de defesa do delegado, José Roberto Rosa, afirmou que as provas serão contestadas e que não há indicação direta de participação do delegado nos ilícitos.

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