Ex-servidora e despachante têm depoimento sobre propina no Detran-MS
A juíza Eucélia Moreira Cassal, da 3ª Vara Criminal de Campo Grande, designou o dia 19 de novembro para nova tentativa de ouvir duas testemunhas consideradas peças-chave no esquema do 4º Eixo. A última audiência, em 17 de setembro, terminou sem a participação delas.
“Vamos oportunizar pela última vez a oitiva das testemunhas ausentes”, disse a magistrada, que ainda precisa ouvir os réus após essa fase.
Nova data para depoimento no caso 4º Eixo
Os réus são o despachante David Cloky Hoffaman Chita e a ex-servidora comissionada da Corregedoria do Detran-MS, Yasmin Osórcio Cabral. Ambos chegaram a ser presos e agora respondem em liberdade. Outros três despachantes também são investigados nesta ação penal.
Conforme investigação do Dracco, David teria liberado documentações de veículos com restrições. Já Yasmin recebia propina para dar baixas ilegais em caminhões, em esquema para ‘esquentar’ a documentação de semirreboques para inclusão do quarto eixo.
Funcionamento do esquema de propina
De acordo com a investigação, o dono do veículo era cooptado e pagava um valor ao despachante. Este acionava seu contato no Detran-MS para alterar a documentação, com divisão da propina entre os envolvidos.
Histórico de fraudes e operações
A Corregedoria do Detran-MS identificou mais de 4 mil fraudes em cinco anos (2020 a 2024). O relatório foi repassado à Polícia Civil.
O corregedor-geral, delegado Odorico Ribeiro de Mendonça e Mesquita, afirma que há participação de despachantes e cerca de 30 servidores. Dentre as fraudes identificadas, estão:
- Transferência de cadastro do veículo para MS
- Vistoria veicular irregular
- Alteração de característica (inclusão de eixo)
- Transferência de propriedade sem que o veículo estivesse no Estado
O esquema de fraudes no Detran-MS já havia sido denunciado em 2020 pelo Jornal Midiamax. A Operação Gravame e outras como Miríade, Resfriamento e Quarto Eixo foram deflagradas contra a corrupção no órgão.
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