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Estado

Justiça quebra sigilo por ‘Pix fantasma’ em contrato milionário na Santa Casa

O Gaeco obteve autorização para quebrar sigilos de ex-diretores e ampliar investigação sobre desvios de R$ 422 mil na Santa Casa.
Por Camila Duarte - Meu MS News
Publicado em 21/10/2026 - 09:10 | Meu MS News
Justiça quebra sigilo por ‘Pix fantasma’ em contrato milionário na Santa Casa
Equipes do Gaeco na Santa Casa, durante a Operação Antidotum. (Vinicios Araujo, Jornal Midiamax)

Novas quebras de sigilo fiscal e telemático foram autorizadas pela Justiça para apurar o escândalo de desvio milionário com contratações irregulares na Santa Casa de Campo Grande, durante a gestão de Alir Terra, que continua presa.

Novas quebras de sigilo bancário e fiscal

No âmbito da Operação Antidotum, os investigadores identificaram novos pagamentos no valor de R$ 422.325,00 para a Redvalue Tecnologia, Administração e Serviços Ltda., contratada para digitalizar documentos. A empresa é de Maurício Aparecido Benites, que também está preso.

O juiz Waldir Peixoto Barbosa decretou a quebra dos sigilos bancários e fiscais de Jary Carvalho de Castro, ex-vice-presidente do hospital, e de Paulo Guilherme Gutierrez Mariosa, ex-diretor-adjunto de finanças e ex-presidente do Comitê de Contratos. A medida abrange o período de 1º de janeiro de 2024 a 8 de outubro de 2026.

A análise de dispositivos eletrônicos indicou a atuação direta de Jary Castro e Paulo Mariosa na aprovação, manutenção e priorização de repasses à RedValue. Segundo a apuração, Mariosa aprovou a contratação ad referendum sem o quórum necessário, enquanto Jary atuou na condução do procedimento e na liberação de pagamentos mesmo diante de questionamentos sobre a ausência de prestação dos serviços.

Ampliação das investigações e novas medidas

Além de incluir novos investigados, o magistrado deferiu a ampliação temporal da devassa bancária sobre dez pessoas físicas e jurídicas que já eram alvo do processo, entre elas a Redvalue e a ex-presidente da Santa Casa, Alir Terra Lima. A medida é essencial para rastrear a circulação e a destinação final dos recursos repassados.

O juiz também determinou que a Google do Brasil forneça o conteúdo integral de mensagens enviadas, recebidas, rascunhos, itens excluídos e anexos do serviço Gmail das contas já individualizadas dos investigados, para o período de 1º de janeiro de 2023 a 24 de julho de 2026.

  • Quebra de sigilo fiscal e bancário de ex-diretores
  • Ampliação temporal da devassa bancária sobre 10 alvos
  • Fornecimento de dados do Gmail pela Google
  • Prazo de 30 dias para entrega do material sob sigilo

O magistrado também autorizou o compartilhamento dos elementos de prova com outros procedimentos investigatórios e processos judiciais relacionados. As instituições financeiras e empresas de tecnologia têm 30 dias para enviar os dados. O juiz destacou que as medidas possuem caráter estritamente probatório e não antecipam juízo de culpa.

As defesas de Jary Castro e Paulo Mariosa não foram localizadas para comentar os novos apontamentos do Gaeco. O ex-vice-presidente do hospital trocou de número de telefone, impossibilitando o contato. O espaço segue aberto para manifestação.

Investigação anterior já resultou em prisões

No dia 11 de setembro, o Gecoc e o Gaeco prenderam a ex-presidente da Santa Casa Alir Terra, os ex-diretores Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa, Rinaldo Hakme Romano, Alessandro Dias Junqueira e a coordenadora do Serviço de Arquivamento Médico, Monique Gregório de Oliveira.

As investigações apontam possíveis fraudes e desvios de dinheiro no contrato firmado com a RedValue para digitalização de prontuários. Os pagamentos foram feitos sem a devida prestação de serviços, com indícios de superfaturamento e fraudes na pesquisa de preços.

Canal para denúncias

Se você tem informações que possam ajudar nas investigações, entre em contato com a redação do Midiamax pelo WhatsApp (67) 99207-4330 ou pelo Messenger do Facebook. A fonte pode permanecer anônima, conforme garantia constitucional.

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