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Policial

Réu não lembra CPF, mas recorda marca da bermuda usada em feminicídio

Acusado de matar Bruna dos Santos Maroto em dezembro de 2024, Edvan da Silva Rodrigues se declarou inocente e disse não recordar do próprio CPF, mas lembrou da bermuda Cobra D’Água que usava no dia do crime.
Por Roberto Vieira - Meu MS News
Publicado em 21/10/2026 - 11:59 | Meu MS News
Réu não lembra CPF, mas recorda marca da bermuda usada em feminicídio
(Foto: Pietra Dorneles)

O julgamento de Edvan da Silva Rodrigues, acusado de feminicídio contra Bruna dos Santos Maroto, ocorreu nesta quarta-feira (21) na 2ª Vara do Tribunal do Júri, em Campo Grande. O réu negou a autoria do crime e afirmou que a vítima já estava morta quando chegou ao local, uma casa abandonada onde morava havia poucos dias.

Contradições no depoimento

Durante o interrogatório, Edvan disse não se lembrar de endereços, nomes de ruas e até do próprio CPF. No entanto, ao ser questionado pela promotoria, recordou detalhadamente a marca da bermuda que usava: Cobra D’Água, de cor vermelha. A promotora Daniele Borghetti Zampieri de Oliveira destacou a seletividade da memória do réu.

Ele também alegou que os ferimentos graves no rosto e crânio de Bruna foram causados por crises epilépticas, versão desmentida pelo laudo pericial, que apontou asfixia como causa da morte. Uma faca apreendida com o acusado foi descartada como prova.

Relação marcada por violência

O réu descreveu o relacionamento como “pacífico” até Bruna começar a usar drogas, o que, segundo ele, gerou dívidas e conflitos. Ele afirmou que trabalhava em um depósito de reciclagem e que, no dia do crime, a vítima foi até lá duas vezes pedir dinheiro, recebendo R$ 5.

Registros policiais, no entanto, mostram que a relação era marcada por boletins de ocorrência e medidas protetivas. A última denúncia de Bruna contra Edvan foi em novembro de 2023. O réu disse ter conhecimento de apenas uma medida.

Júri e composição do conselho

Presidido pelo juiz Aluízio Pereira dos Santos, o júri contou com a promotoria representada por Daniele Borghetti Zampieri de Oliveira e a defesa pelo defensor público Nilson da Silva Gerado. Durante o sorteio, defesa e acusação recusaram alguns jurados, resultando em um conselho formado por cinco mulheres e dois homens.

Relembre o caso

Bruna dos Santos Maroto foi espancada e asfixiada em 17 de dezembro de 2024. Inicialmente, noticiou-se que teria sido morta a facadas, mas exames periciais descartaram essa versão. Edvan foi preso horas depois, escondido na casa de um amigo. Ele alegou ter tentado salvar a vítima pedindo ajuda e ligando para o Samu.

O réu afirmou que, no dia, havia ido ao supermercado e, ao voltar, encontrou Bruna morta. A denúncia do Ministério Público aponta que o crime foi cometido com emprego de meio cruel e com recurso que dificultou a defesa da vítima.

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