Réu não lembra CPF, mas recorda marca da bermuda usada em feminicídio
O julgamento de Edvan da Silva Rodrigues, acusado de feminicídio contra Bruna dos Santos Maroto, ocorreu nesta quarta-feira (21) na 2ª Vara do Tribunal do Júri, em Campo Grande. O réu negou a autoria do crime e afirmou que a vítima já estava morta quando chegou ao local, uma casa abandonada onde morava havia poucos dias.
Contradições no depoimento
Durante o interrogatório, Edvan disse não se lembrar de endereços, nomes de ruas e até do próprio CPF. No entanto, ao ser questionado pela promotoria, recordou detalhadamente a marca da bermuda que usava: Cobra D’Água, de cor vermelha. A promotora Daniele Borghetti Zampieri de Oliveira destacou a seletividade da memória do réu.
Ele também alegou que os ferimentos graves no rosto e crânio de Bruna foram causados por crises epilépticas, versão desmentida pelo laudo pericial, que apontou asfixia como causa da morte. Uma faca apreendida com o acusado foi descartada como prova.
Relação marcada por violência
O réu descreveu o relacionamento como “pacífico” até Bruna começar a usar drogas, o que, segundo ele, gerou dívidas e conflitos. Ele afirmou que trabalhava em um depósito de reciclagem e que, no dia do crime, a vítima foi até lá duas vezes pedir dinheiro, recebendo R$ 5.
Registros policiais, no entanto, mostram que a relação era marcada por boletins de ocorrência e medidas protetivas. A última denúncia de Bruna contra Edvan foi em novembro de 2023. O réu disse ter conhecimento de apenas uma medida.
Júri e composição do conselho
Presidido pelo juiz Aluízio Pereira dos Santos, o júri contou com a promotoria representada por Daniele Borghetti Zampieri de Oliveira e a defesa pelo defensor público Nilson da Silva Gerado. Durante o sorteio, defesa e acusação recusaram alguns jurados, resultando em um conselho formado por cinco mulheres e dois homens.
Relembre o caso
Bruna dos Santos Maroto foi espancada e asfixiada em 17 de dezembro de 2024. Inicialmente, noticiou-se que teria sido morta a facadas, mas exames periciais descartaram essa versão. Edvan foi preso horas depois, escondido na casa de um amigo. Ele alegou ter tentado salvar a vítima pedindo ajuda e ligando para o Samu.
O réu afirmou que, no dia, havia ido ao supermercado e, ao voltar, encontrou Bruna morta. A denúncia do Ministério Público aponta que o crime foi cometido com emprego de meio cruel e com recurso que dificultou a defesa da vítima.
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