Abstenção recorde e indecisos podem definir 2º turno entre Lula e Bolsonaro
O segundo turno da disputa presidencial entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) pode ser definido por um fator externo às campanhas: o alto índice de abstenção e o crescimento de eleitores indecisos. Especialistas ouvidos pela CNN Brasil apontam que a mobilização de quem não compareceu às urnas e a conquista de novos votos são os principais desafios dos candidatos.
No primeiro turno, 33,4 milhões de eleitores deixaram de votar, o equivalente a 21% dos 158,7 milhões de aptos. Esse é o maior percentual de abstenção desde 1998. O cenário preocupa as campanhas, que tentam ampliar bases em uma disputa marcada por polarização e empate técnico nas pesquisas.
Indecisos dobram e viram alvo prioritário
Pesquisa Quaest divulgada em 21 de outubro mostrou que o percentual de indecisos saltou de 7% para 14% em uma semana. Para o cientista político Renato Dolci, os candidatos precisam apresentar propostas concretas e deixar de lado apenas o discurso de rejeição ao adversário.
- Estratégia: demonstrar como as propostas podem gerar mudanças reais na vida da população
- Público-alvo: mulheres e jovens de baixa renda das periferias, segundo o cientista social Murilo Medeiros (UnB)
Abstenção reflete distanciamento da política
Os especialistas avaliam que o elevado número de ausências não se deve apenas a dificuldades práticas, como problemas de saúde ou compromissos profissionais. O desânimo com os candidatos e a falta de confiança na política também contribuem. Não há dados concretos, porém, para quantificar quantos eleitores deixaram de votar voluntariamente por insatisfação.
Outro grupo relevante é o de eleitores com 70 anos ou mais, para quem o voto é facultativo. Dos 17 milhões de idosos aptos, 8,45 milhões não compareceram no primeiro turno.
Falta de disputas estaduais reduz engajamento
Vinte e uma das 27 unidades da Federação não terão eleição para governador no segundo turno. Isso reduz a mobilização de candidatos locais e pode diminuir o interesse do eleitorado, segundo Murilo Medeiros. Já Renato Dolci acredita que a polarização nacional pode manter a participação alta.
Multa baixa não estimula comparecimento
A legislação prevê multa de R$ 3,51 por turno não votado sem justificativa. Três ausências consecutivas podem levar ao cancelamento do título. Especialistas consideram a penalidade insuficiente e defendem ações permanentes de educação política e fortalecimento da confiança nas instituições.
Com a disputa acirrada, a capacidade de mobilizar ausentes e conquistar indecisos pode ser o fator decisivo no segundo turno.
O dicionário próprio do estado
O falar sul-mato-grossense é um caldeirão cultural. Termos do dia a dia, como "moage" (frescura ou complicação) ou "chake" (cuidado), mostram a fusão direta e viva do português com o idioma indígena guarani e o espanhol da fronteira.
Divulgue sua empresa para todo o Mato Grosso do Sul. Contatos: [email protected]