Justiça suspende liminar e Tifanny fica impedida no vôlei feminino
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) revogou nesta sexta-feira (23) a liminar que autorizava a jogadora de vôlei trans Tifanny Abreu a atuar pelo Osasco em partidas femininas. A decisão ocorre depois de a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) anunciar, em agosto, uma nova política de elegibilidade que passou a barrar jogadoras trans em competições femininas.
Liminar havia liberado atleta para a Supercopa
No último dia 16, Tifanny obteve na Justiça do Rio de Janeiro autorização para defender o Osasco na decisão da Supercopa Feminina de Vôlei, contra o Praia Clube. Com grande atuação da atleta, a equipe paulista venceu por 3 sets a 0 e conquistou o título.
Também nesta sexta-feira, a Justiça Desportiva rejeitou, por unanimidade, um recurso apresentado pela jogadora. Procurada, Tifanny ainda não se manifestou sobre as novas decisões.
Nova política da CBV vale para todas as atletas
Até o anúncio da nova regra, a CBV permitia a presença de atletas trans em torneios femininos, desde que elas se submetessem a tratamentos hormonais que mantivessem os níveis de testosterona abaixo de 5 nmol/L, conforme recomendação da Federação Internacional de Medicina do Esporte (FIMS).
A confederação afirmou que a nova política “se adequa ao atual cenário regulatório internacional e à necessidade de assegurar alinhamento entre os critérios aplicáveis às competições nacionais e aqueles adotados pelo COI (Comitê Olímpico Internacional), pela FIVB (Federação Internacional de Voleibol) e pela CSV (Confederação Sul-Americana de Voleibol)”.
“A CBV reafirma que cumpriu integralmente a decisão anterior enquanto ela esteve em vigor, e seguirá cumprindo todas as determinações do poder judiciário e da justiça desportiva”, declarou a confederação. “A entidade mantém seu compromisso com o respeito e a dignidade de todas as atletas, e reitera que sua política de elegibilidade é uma norma geral, aplicável igualmente a todas, alinhada aos critérios do Comitê Olímpico Internacional e da Federação Internacional de Voleibol.”
Após o anúncio da CBV, Tifanny chegou a atuar pelo Osasco no Campeonato Paulista, depois de a Federação Paulista de Volleyball (FPV) liberar sua participação. A federação defendeu que o torneio seguiria com as regras adotadas no início da disputa.
Tifanny defende olhar humanizado
Na terça-feira (20), a atleta publicou uma mensagem nas redes sociais. “Eu não escolhi o voleibol por acaso. Foi dentro de uma quadra que encontrei sonhos, construí minha história e dediquei anos da minha vida àquilo que mais amo fazer”, escreveu.
“Não quero que minha história seja reduzida a uma discussão. Quero que ela também seja enxergada com humanidade, respeito e responsabilidade. Continuo acreditando na força do esporte, no diálogo, na Justiça e na possibilidade de construir caminhos com dignidade”, acrescentou.
Entidades esportivas endurecem regras
Em meio a críticas de grupos LGBTQIA+ e de direitos humanos, entidades esportivas, federações internacionais e governos vêm promovendo um endurecimento das regras sobre a participação de mulheres transgênero em competições esportivas. A alegação é que as medidas visam preservar a justiça na categoria feminina, com base em supostas vantagens competitivas das atletas trans em relação às cis.
- World Aquatics: federação de natação adotou regras mais rígidas;
- World Athletics: entidade do atletismo restringiu a participação;
- UCI: ciclismo também endureceu os critérios para competições de elite.
Segundo especialistas, não há até hoje consenso acadêmico sobre eventual vantagem trans no esporte.
O dicionário próprio do estado
O falar sul-mato-grossense é um caldeirão cultural. Termos do dia a dia, como "moage" (frescura ou complicação) ou "chake" (cuidado), mostram a fusão direta e viva do português com o idioma indígena guarani e o espanhol da fronteira.
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