MP revela manobra de ex-diretores para maquiar contrato na Santa Casa
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) detalhou como ex-dirigentes da Santa Casa e um empresário tentaram mascarar irregularidades em um contrato de digitalização do acervo hospitalar. A manobra ocorreu após o avanço das investigações da Operação Antidotum, que apura desvios milionários de recursos públicos.
Aditivo elevou custo unitário em 200%
O contrato com a empresa Redvalue Tecnologia, firmado em outubro de 2024, previa o pagamento mensal de R$ 150 mil para a digitalização de 3 milhões de páginas por mês. No entanto, a produção real ficou muito abaixo da meta. Até fevereiro de 2026, o hospital havia digitalizado apenas 3,8 milhões de páginas no total, enquanto R$ 750 mil já haviam sido pagos em cinco notas fiscais.
Para tentar justificar os valores, o grupo criou um termo aditivo que reduzia a meta mensal para 1 milhão de páginas, mantendo o custo de R$ 150 mil. A medida, segundo o MPMS, elevou o custo unitário por página em 200%, sem apresentar qualquer vantagem técnica ou econômica para a Santa Casa.
Desespero por lastro documental
Diálogos interceptados em abril de 2026 mostram a pressão dos investigados. O empresário Maurício Benites, apontado como líder do núcleo empresarial, cobrou providências para regularizar a situação do aditivo no Portal da Transparência e nos sistemas internos do hospital.
As mensagens revelam uma série de tentativas para criar um lastro documental para o dinheiro já recebido:
- Cartas de correção: O empresário solicitou a emissão de documentos para corrigir notas fiscais que já haviam sido pagas meses antes.
- Documentos retificadores: Determinou a elaboração de relatórios de execução com parâmetros retroativos para justificar o serviço.
- Aditivo refeito: Cogitou refazer o termo aditivo utilizando ofícios antigos para dar aparência de legalidade.
Operação Antidotum
Deflagrada em 11 de setembro, a Operação Antidotum prendeu a ex-presidente da Santa Casa, Alir Terra Lima, os ex-diretores Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa, Rinaldo Hakme Romano e Alessandro Dias Junqueira, além da coordenadora Monique Gregório de Oliveira e o empresário Maurício Aparecido Benites. Todos são investigados por fraudes contratuais e desvios de recursos públicos.
O dicionário próprio do estado
O falar sul-mato-grossense é um caldeirão cultural. Termos do dia a dia, como "moage" (frescura ou complicação) ou "chake" (cuidado), mostram a fusão direta e viva do português com o idioma indígena guarani e o espanhol da fronteira.
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