Cardiologista acusado de feminicídio tem prisão domiciliar negada
A Justiça de Mato Grosso do Sul negou o pedido de prisão domiciliar humanitária feito pela defesa do cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos. Ele é acusado de matar a esposa, a fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos, com um tiro na cabeça, em maio deste ano, no bairro Chácara dos Poderes, em Campo Grande.
Os advogados André Borges e Rene Siufi, que assumiram o caso recentemente, afirmaram que ainda não foram intimados da decisão. “A defesa ainda não foi intimada de decisão a respeito disso; se confirmada a negativa, discutiremos com o cliente a alternativa cabível”, disseram.
Cardiologista segue preso após negativa da Justiça
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) se manifestou contra o pedido pela terceira vez. O órgão destacou que o acusado não atende ao requisito etário do artigo 318 do Código Penal, pois a substituição da prisão preventiva pela domiciliar é permitida para maiores de 80 anos. O cardiologista tem 78.
A defesa justificou o pedido com base no estado de saúde do médico. Ele passou por um cateterismo cardíaco em 14 de outubro, que constatou lesões coronárias graves, inclusive no principal vaso do coração. “Diante da gravidade do quadro e do risco de morte súbita, tornou-se necessária intervenção médica de urgência”, sustentaram os advogados.
O MP, porém, argumentou que o procedimento foi bem-sucedido e que não há provas de que o tratamento seja incompatível com a prisão. “Toda extrema debilidade decorre de doença grave, mas nem toda doença grave produz extrema debilidade”, pontuou o órgão no documento.
O assistente de acusação levantou suspeita de que a angioplastia teria sido realizada propositalmente para adiar a audiência, pedindo apuração de falsidade documental. A Justiça, no entanto, considerou que o adiamento não causou prejuízo significativo e que os novos documentos poderiam ser avaliados depois.
Audiências remarcadas para novembro
O juiz da 2ª Vara do Tribunal do Júri marcou as audiências para os dias 5 e 12 de novembro. No dia 5, serão ouvidas as testemunhas de acusação; no dia 12, as de defesa. Em seguida, o acusado será interrogado. Caso ainda esteja internado, poderá acompanhar os atos por videoconferência.
O magistrado também acatou pedido do MP para que, em caso de alta, o médico seja colocado em unidade com assistência de saúde e siga protocolo para remoção imediata a um hospital em caso de urgência.
Médico nega autoria e culpa cunhado
João Jazbik foi preso em 3 de setembro pela 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), na terceira prisão relacionada ao caso. Ao chegar à delegacia, ele negou a autoria e culpou o irmão da vítima. “Eu não matei a Fabíola; eu vivia com ela em lua de mel e a família dela sabe”, afirmou.
Em entrevista ao Jornal Midiamax, ele repetiu a versão e disse que o irmão de Fabíola seria inimigo da família, citando uma cirurgia que ele teria feito na mãe da vítima.
Relembre o caso
Fabíola Marcotti foi encontrada morta com um tiro na cabeça na casa do casal, no dia 18 de maio. O médico acionou a polícia e alegou que a esposa teria cometido suicídio. Ele contou que a esposa fez atividades de rotina e, em determinado momento, foi para o quarto. Após estranhar a demora, ele subiu, encontrou a porta fechada e, depois, ouviu um disparo. Ao retornar, viu a companheira caída.
Onde buscar ajuda em MS
Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira funciona 24 horas na Rua Brasília, s/n, Jardim Imá. O local reúne Deam, Defensoria Pública, Ministério Público, Vara de Medidas Protetivas, atendimento social e psicológico, alojamento, brinquedoteca, Patrulha Maria da Penha e Guarda Municipal.
- Ligue 153 para a Guarda Municipal.
- Central de Atendimento à Mulher: 180, disponível 24 horas, mas não serve para emergências.
- Emergências: 190.
- Promuse: (67) 99180-0542 (ligações e WhatsApp).
- Corregedoria da Polícia Civil: (67) 3314-1896.
- Gacep (MPMS): (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.
As Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DAMs) ficam em Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.
A autoestrada da vida selvagem
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