Operação do Gaeco mira 9 policiais e delegado por desvio de cocaína
Nove policiais civis que atuaram na Defron (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira) e um delegado são os principais alvos da Operação Infiltrados II, deflagrada nesta quinta-feira (5) pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado). A ação busca desarticular um esquema de agentes de segurança infiltrados na Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul) que atuavam em conluio com traficantes.
Agentes do Gaeco estiveram na Rua Nova Era nesta quinta-feira para cumprir mandados de busca e apreensão no apartamento de um delegado que estava lotado na Defron. Segundo o Ministério Público, os alvos integravam esquema que desviava cocaína apreendida em operações policiais. A droga era retirada durante as diligências, diretamente dos depósitos da delegacia ou no trajeto para incineração.
Esquema desviou 500 kg de cocaína em setembro
O ponto mais crítico do esquema ocorreu em setembro de 2025, quando mais de 500 quilos de cocaína destinados à destruição foram desviados e entregues a traficantes para reintrodução no mercado ilícito.
A ofensiva cumpre quatro mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão em Dourados, Ponta Porã, Nova Andradina e Santa Terezinha de Itaipu (PR). A operação conta com o apoio da Corregedoria da Polícia Civil, do Batalhão de Choque e do Gaeco paranaense.
Os nove policiais foram alvo de medidas cautelares para afastamento das funções. O nome da operação faz alusão à subversão da função pública, com criminosos infiltrados na estrutura de segurança do Estado para blindar e alimentar o próprio crime.
Primeira fase prendeu delegado e 26 pessoas
A primeira fase da Operação Infiltrados ocorreu no dia 24 de setembro e cumpriu 26 mandados de prisão. Entre os principais alvos presos estavam o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, ex-titular da Denar e do Garras, nove policiais civis, dois policiais militares e um policial penal.
O esquema funcionava a partir da omissão de registros no momento dos flagrantes ou pela retirada direta dos entorpecentes de dentro dos depósitos policiais.
Denúncia pede perda de função e R$ 10 milhões
Com base no inquérito, o Ministério Público denunciou os envolvidos pelos seguintes crimes:
- Organização criminosa
- Tráfico de drogas
- Peculato
- Corrupção
- Lavagem de dinheiro
O MP também solicitou a perda imediata das funções públicas e o pagamento de R$ 10 milhões por danos morais coletivos.
O Jornal Midiamax entrou em contato com a Sejusp para comentar a operação, mas não obteve retorno até a publicação. O espaço segue aberto para manifestações.
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