Bateria de R$ 1 mi do Senai-MS acaba em fábrica do presidente da Fiems
Um sistema de armazenamento de energia (BESS) adquirido pelo Senai-MS por R$ 1.030.000,00 foi flagrado na fábrica da Semalo Indústria e Comércio de Alimentos, em Campo Grande. A empresa pertence ao presidente da Fiems, Sérgio Longen.
Um vídeo publicado pela Parisi S.A. – MS Energy mostra o equipamento, ainda com adesivos do Senai/Fiems, sendo instalado no pátio da indústria. A gravação foi feita quatro meses após a homologação da licitação.
Equipamento foi comprado para unidade móvel
O Chamamento Público nº 134/2025 previa a aquisição do BESS para instalação em um caminhão elétrico VW e-Delivery 14, que atuaria como unidade móvel para alimentar carretas, contêineres e canteiros de obras sem rede de energia.
No vídeo, porém, uma representante da MS Energy afirma que o equipamento abastece a fábrica no horário de ponta para reduzir custos. A gravação termina com a fachada da Semalo.
Licitação teve respostas evasivas e preço alto
Empresas interessadas no certame perguntaram sobre a infraestrutura elétrica, distâncias de cabeamento e endereço de instalação. A comissão do Senai respondeu que “não existe infra ainda” e negou plantas e fotos das subestações.
Segundo o edital, o Senai afirmou que faria as instalações. A Parisi S.A. venceu com proposta de R$ 1.030.000,00. Uma empresa da Paraíba chegou a enviar oferta de R$ 566.751,70, mas pediu desclassificação por “equívoco operacional”.
Suspeitas de conflito de interesse e desvio de finalidade
O Sistema S é mantido por contribuições compulsórias das empresas, arrecadadas pela União. A Fiems deve receber cerca de R$ 60 milhões neste ano.
A instalação de um bem público dentro de uma empresa ligada à presidência da Fiems levanta suspeitas de desvio de finalidade e fraude à isonomia. A San Vito Solar, vinculada a Massimo Parisi, foi desclassificada de outra licitação, de R$ 18 milhões, após denúncias de direcionamento.
- TCU: informou que não localizou processos sobre o chamamento público.
- CGU: pode incluir as denúncias em auditoria na Fiems.
- MPF: não respondeu até o fechamento da reportagem.
- Conselho Nacional do Senai: não enviou esclarecimentos.
Órgãos de controle e silêncio dos envolvidos
Foram protocoladas notificações no TCU, na CGU, no MPF e no Conselho Nacional do Senai. Até a publicação, apenas o TCU respondeu.
O Jornal Midiamax procurou Longen, a Fiems e a Semalo por e-mail, WhatsApp e redes sociais. Não houve retorno. A Parisi S.A. apagou as publicações e mudou o nome para San Vito Solar.
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