Defesa afirma que delegado alvo do Gaeco apurava policiais corruptos
A defesa do delegado Guilherme Scucuglia Cezar, ex-chefe da Defron, afirmou que ele foi designado para a unidade justamente para investigar policiais corruptos. A declaração foi dada durante entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira (6), um dia após o Gaeco cumprir mandados contra o cliente na Operação Infiltrados II.
Na quinta-feira (5), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão em Dourados, Ponta Porã, Nova Andradina e Santa Terezinha de Itaipu (PR). A segunda fase da operação mira agentes de segurança infiltrados na Sejusp-MS que atuariam em conluio com traficantes.
Defesa afirma que delegado apurava irregularidades na Defron
“Na época, o doutor Guilherme foi designado para trabalhar no Defron, justamente para poder avaliar maus feitos que a cúpula da Polícia Civil sabia que estavam acontecendo. Ele foi mandado para olhar de perto e sanar aquilo que pudesse estar errado”, afirmou José Roberto.
Segundo a defesa, houve falha de comunicação entre as instituições. “As instituições, muitas vezes, pecam, porque elas não se comunicam entre si. Então, não havia informação por parte do Gaeco de que o doutor Guilherme estava lá justamente para investigar isso”, completou o advogado.
Gaeco cita conversa entre traficantes sobre delegado ‘cabeludinho’
A defesa afirmou que a única menção ao delegado nas mais de 5 mil laudas do inquérito é uma conversa entre dois traficantes. Eles citaram que alguém teria que conversar com o delegado “cabeludinho”, característica atribuída a Guilherme.
“Em relação a esse fato, o único delegado com aquelas características é o doutor Guilherme. Foi então reclamada, por parte do Gaeco, à época, o pedido de prisão preventiva. A Justiça, por óbvio, negou, disse que não tinha elemento mínimo e, ainda assim, deferiu a busca e apreensão”, explicou o advogado.
Nada que comprovasse ligação com o crime foi encontrado no apartamento do delegado, na Rua Nova Era. A defesa pede o arquivamento do caso e deve solicitar acesso total ao material arrecadado.
Corregedoria já investigava desvio de cocaína há quatro meses
A Polícia Civil informou que as possíveis irregularidades já eram apuradas internamente pela Corregedoria-Geral há aproximadamente quatro meses, por meio de Inquérito Policial e Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD).
Foram adotadas medidas administrativas e correcionais, como adequações de procedimentos operacionais, remoções de servidores e correição extraordinária na unidade policial.
Operação Infiltrados II apura desvio de mais de 500 quilos de cocaína
Conforme o Ministério Público, os alvos integravam esquema que desviava cocaína apreendida em operações policiais. A droga era retirada durante diligências, diretamente dos depósitos da delegacia ou no trajeto para incineração. Em setembro de 2025, mais de 500 quilos de cocaína destinados à destruição foram desviados e entregues a traficantes.
Nove policiais foram afastados das funções. Confira a lista dos alvos da Operação Infiltrados II:
- Delegado da PCMS: Guilherme Scucuglia Cezar, atualmente adjunto da Derf.
- Policial civil lotado na Defron: Rogério da Rocha Ferreira.
- Policial civil lotado em Sidrolândia: Rodrigo Carpes da Silva.
- Policial civil lotado em Douradina: Anderson Mirandola.
- Policial civil lotado em Anaurilândia: Cassiano Rodrigues Teixeira.
- Policial civil lotado em Naviraí: Eumer Cordeiro Barbosa.
- Policial civil lotado em Dourados: Oseias Medeiros da Silva.
- Policial civil lotado em Laguna Carapã: Gustavo dos Santos Sayao.
- Policial civil lotado em Dourados: João Marcos Garcia.
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