Flamengo terá de pagar R$ 580 mil e pensão a ex-segurança do Ninho
O Flamengo foi condenado, em segunda instância da Justiça do Trabalho, a indenizar Benedito Ferreira, ex-segurança do Ninho do Urubu. Ele estava no centro de treinamento no dia do incêndio que matou dez jogadores da base, em 2019.
O tribunal reconheceu que o trabalhador desenvolveu doença psíquica ocupacional grave, com transtorno de estresse pós-traumático, depressão e síndrome do pânico. Benedito participou do resgate de meninos e tirou três deles dos contêineres em chamas.
Valores da condenação contra o Flamengo
- Indenização: R$ 430 mil, com desconto de R$ 20 mil pagos em acordo extrajudicial.
- Danos morais: R$ 150 mil.
- Pensão: mensal vitalícia, calculada sobre o salário-base do ex-segurança.
Na sentença, o relator destacou que Benedito atuou “com risco à própria vida” para resgatar crianças. Ele salvou três menores; uma quarta criança morreu sem que ele tivesse forças ou aparatos para alcançá-la.
Transtornos e demissão em 2022
O incêndio ocorreu em fevereiro de 2019. O ex-segurança seguiu em tratamento psiquiátrico prolongado, com tentativas de retorno ao trabalho. A perícia apontou transtornos depressivos, de adaptação e de pânico, com quadro agravado.
O acórdão foi publicado em 26 de outubro. A informação foi divulgada pelo “ge” e confirmada pelo UOL.
Falhas no centro de treinamento
Pesou contra o Flamengo a inexistência de brigadista técnico habilitado de plantão no Ninho do Urubu. Também faltou treinamento preventivo para o uso de extintores. O documento citou a demissão de Benedito em 2022, em meio às consequências do incêndio.
A dispensa de trabalhador em pleno adoecimento crônico ocupacional configurou ilegalidade. O clube também não teria encaminhado o funcionário ao INSS para exames previdenciários.
Flamengo não se manifesta
Procurado, o Flamengo não se manifestou até o fechamento do material. Caso haja posicionamento, o texto será atualizado.
Documentário sobre a tragédia
O caso ganhou repercussão no documentário “O Ninho: Futebol e Tragédia”, disponível na Netflix. A produção parte de ideia original do UOL e detalha o incêndio que vitimou dez crianças em 2019.
A canetada que criou o estado
O Mato Grosso do Sul nasceu oficialmente a 11 de outubro de 1977. Foi através de uma lei complementar assinada pelo então presidente Ernesto Geisel que a região sul se separou finalmente do vizinho do norte.
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