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    Entenda por que o terremoto que atingiu Mianmar foi tão devastador

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    Último indicava mais de 1.600 mortos, mas o Serviço Geológico dos Estados Unidos estima que há 35% de probabilidade de o número de vítimas variar entre 10 mil e 100 mil

    O terremoto de magnitude 7,7 que sacudiu Mianmar na sexta-feira (29) pode ter sido o mais forte registrado no país em décadas. Especialistas estimam que o número de vítimas pode chegar a milhares, com base em simulações de desastres. “Espera-se um grande número de vítimas e danos significativos, com possibilidade de ampliação da área afetada”, afirmou o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). O epicentro foi localizado próximo à cidade de Mandalay, que abriga mais de 1 milhão de habitantes.

    O último balanço divulgado pelo governo militar de Mianmar, no sábado (29), indicava mais de 1.600 mortos e 2.000 feridos. No entanto, o USGS estima que há 35% de probabilidade de o número de vítimas variar entre 10 mil e 100 mil. O prejuízo financeiro pode chegar a bilhões de dólares, superando o PIB do país.

    O professor de geofísica Bill McGuire, da University College London, afirmou que este pode ter sido o maior terremoto em Mianmar nos últimos 75 anos. Minutos após o primeiro tremor, houve outro de magnitude 6,7, e novas réplicas são esperadas. Segundo a especialista Rebecca Bell, do Imperial College London, o terremoto ocorreu devido ao deslocamento lateral da falha de Sagaing, uma das principais da região. A falha, que se estende por 1.200 km, é comparável à de San Andreas, na Califórnia. Como os tremores ocorreram em uma área superficial, os impactos na superfície foram intensificados.

    Mianmar tem um histórico de terremotos significativos, com mais de 14 tremores acima de magnitude 6 no último século. O sismólogo Brian Baptie, do Instituto Geológico de Londres, lembra que um abalo de 6,8 foi registrado perto de Mandalay em 1956. O crescimento da construção civil no país aumentou o risco de desmoronamentos, conforme aponta Ian Watkinson, da Royal Holloway University. Ele explica que, enquanto no passado as edificações eram de madeira e tijolos, hoje há mais prédios altos de concreto, mas sem normas rígidas de segurança contra terremotos. “Este é o primeiro grande teste para as novas infraestruturas do país”, destacou.

    Baptie estima que pelo menos 2,8 milhões de pessoas vivam nas áreas mais afetadas. Já Ilan Kelman, especialista da University College London, enfatiza que “terremotos não matam, mas o colapso das infraestruturas, sim”. Ele cobra maior fiscalização governamental sobre normas de construção. O tremor foi sentido em países vizinhos, especialmente na Tailândia, onde um arranha-céu em construção desmoronou em segundos, deixando dezenas de operários soterrados.

    O engenheiro Christian Malaga-Chuqitaype, do Imperial College de Londres, explica que o solo macio de Bangcoc amplificou os tremores, aumentando os danos. Ele também aponta falhas estruturais na construção do edifício, que usava um método sem vigas de reforço, tornando a estrutura mais vulnerável. “Esse tipo de construção colapsa de forma brusca e repentina”, alertou.

    *Com informações da AFP
    Publicado por Felipe Cerqueira

    Fonte: Jovem Pan News

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