Embaixador Samuel Moncada classifica a captura de Maduro como violação da Carta das Nações Unidas; reunião de emergência em Nova York expõe racha diplomático global.
A sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, tornou-se o palco de um dos debates mais tensos da década nesta segunda-feira (05/01). Durante a reunião de emergência do Conselho de Segurança, o embaixador permanente da Venezuela, Samuel Moncada, condenou veementemente a operação militar dos Estados Unidos que resultou na queda e captura de Nicolás Maduro no último sábado.
Moncada apelou aos Estados-membros, alertando que a ação unilateral do governo Donald Trump cria um “precedente extremamente perigoso” para a soberania de todas as nações.
🚩 Os Argumentos da Representação Venezuelana
Em seu discurso, Moncada destacou que a data de 3 de janeiro de 2026 será lembrada como um dia de ruptura no sistema internacional. Seus principais pontos foram:
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Violação da soberania: O ataque armado foi classificado como uma infração direta à integridade territorial e à independência política da Venezuela.
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Infração à Carta da ONU: O embaixador citou o desrespeito ao princípio da igualdade soberana e à proibição absoluta do uso da força entre Estados.
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Inexistência de base legal: Para Moncada, a justificativa de “combate ao narcoterrorismo” usada por Washington não possui sustentação no Direito Internacional para uma invasão de tal escala.
“O desrespeito a essa norma não afeta apenas a Venezuela, mas estabelece um precedente perigoso para todos os Estados, independentemente de seu tamanho ou poder”, afirmou Moncada perante o Conselho.
⚖️ O Embate no Conselho de Segurança
A reunião refletiu a polarização global diante da operação americana:
| Bloco / País | Posição no Conselho |
| Estados Unidos | Defendeu a ação como necessária para a segurança hemisférica e para levar criminosos à justiça (Tribunal de Nova York). |
| Rússia e China | Apoiaram a fala de Moncada, acusando os EUA de imperialismo e de minar a estabilidade regional. |
| Brasil (Lula) | Conforme diretriz do Itamaraty, o representante brasileiro reforçou a condenação ao uso da força e defendeu o multilateralismo. |
🔍 O que a Carta da ONU estabelece?
O argumento central de Moncada baseia-se no Artigo 2º da Carta das Nações Unidas, que determina:
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A organização é baseada no princípio da igualdade soberana de todos os seus membros.
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Os membros deverão evitar, em suas relações internacionais, a ameaça ou o uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado.
📅 Próximos Passos
O Conselho de Segurança deve votar uma resolução de condenação ou de estabelecimento de uma missão de paz nos próximos dias, embora o poder de veto dos EUA torne a aprovação de uma condenação formal pouco provável. Enquanto isso, o mundo aguarda o início do processo judicial contra Maduro em solo americano.


