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    Agricultores protestam na Alemanha e na França contra acordo UE–Mercosul

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    Bloqueios atingem rodovias e áreas urbanas próximas a Berlim e Paris em reação ao tratado comercial e a demandas internas do setor agrícola europeu

    Produtores rurais na Alemanha e na França realizaram mobilizações nesta quinta-feira (8) para pressionar governos europeus contra o acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul. Os protestos envolveram bloqueios em estradas, uso de tratores e interrupções no trânsito, ampliando a tensão sobre a votação do tratado prevista para esta semana em Bruxelas.

    No norte e no leste da Alemanha, agricultores fecharam trechos de rodovias e acessos a Berlim, incluindo pontos da A19, A20 e da B96, segundo emissoras regionais. Em algumas áreas, a polícia dispersou piquetes não anunciados. As ações foram convocadas pela Associação de Agricultores de Brandemburgo e pelo movimento “O campo conecta”, com bloqueios programados até o fim da tarde no horário local.

    Os organizadores afirmam que o acordo comercial expõe o setor agrícola alemão a uma concorrência desigual e defendem menos carga tributária, maior proteção do mercado doméstico e estímulo ao abastecimento regional. Caso o tratado seja aprovado, líderes do protesto ameaçam pressionar pela saída da Alemanha do pacto.

    Na região de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, os atos ocorreram de forma mais dispersa e sem paralisação completa do tráfego, segundo a rede NDR. Embora critique o acordo, a principal entidade nacional do setor, a Associação de Agricultores Alemães, não se juntou às manifestações.

    Em paralelo, agricultores franceses iniciaram bloqueios antes do amanhecer em estradas que levam a Paris e em áreas próximas a pontos turísticos, como a Torre Eiffel e o Arco do Triunfo. Tratores ocuparam vias importantes, entre elas a A13, o que provocou longos congestionamentos no entorno da capital e aumentou a pressão sobre o governo do presidente Emmanuel Macron.

    Os sindicatos rurais na França afirmam que o acordo UE–Mercosul pode inundar o mercado europeu com alimentos mais baratos e reivindicam respostas para demandas internas, como a política adotada para combater uma doença que atinge o gado no país. Os manifestantes defendem a vacinação dos rebanhos e criticam a estratégia oficial de abate, considerada excessiva pelo setor.

    O governo francês tem sido um dos principais opositores ao tratado dentro da UE, mesmo após negociações recentes em Bruxelas. A disputa ganha peso político nesta semana, já que a votação do acordo pelos Estados-membros está prevista para sexta-feira. A Comissão Europeia tenta superar resistências oferecendo recursos adicionais no próximo orçamento agrícola e ajustando tarifas de importação de insumos.

    O texto é apoiado por países como Alemanha e Espanha, e conta com maior receptividade na Itália. Caso Roma confirme o apoio, a UE teria votos suficientes para aprovar o acordo independentemente da posição francesa.

    Durante os protestos, o governo francês orientou a polícia a evitar confrontos, afirmando que os agricultores “não são inimigos”.

    *Com informações da EFE
    Publicado por Nícolas Robert

    Fonte: Jovem Pan News

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