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    Entenda pontos estratégicos do acordo firmado entre Mercosul e União Europeia

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    Tratado cria maior área de livre comércio do mundo, envolvendo cerca de 700 milhões de pessoas

    Após mais de 25 anos de negociações, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) foi aprovado pelo Conselho da EU. O tratado assinado neste sábado (17) em Assunção, no Paraguai, estabelece as bases da maior zona de livre comércio do mundo, envolvendo cerca de 700 milhões de pessoas.

    Embora celebrado por governos e setores industriais, o acordo ainda enfrenta resistência de agricultores europeus e ambientalistas, que criticam possíveis impactos sobre o clima e a concorrência agrícola. A implementação será gradual e os efeitos práticos devem ser sentidos ao longo de vários anos.

    Após a assinatura formal, o acordo ainda precisará ser aprovado pelo Parlamento Europeu. Partes que extrapolam a política comercial, como acordos técnicos, exigirão ratificação nos parlamentos nacionais da UE, o que pode alongar o cronograma e abrir espaço para disputas.

    1. Eliminação de tarifas alfandegárias

    Redução gradual de tarifas sobre a maior parte dos bens e serviços;
    Mercosul: zerará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos;
    União Europeia: eliminará tarifas sobre 95% dos bens do Mercosul em até 12 anos.

    2. Ganhos imediatos para a indústria

    Tarifa zero desde o início para diversos produtos industriais.

    – Setores beneficiados:

    Empresas do Mercosul ganham preferência em um mercado de alto poder aquisitivo;
    UE tem PIB estimado em US$ 22 trilhões;
    Comércio tende a ser mais previsível e com menos barreiras técnicas.

    Produtos como carne bovina, frango, arroz, mel, açúcar e etanol terão cotas de importação;
    Acima dessas cotas, é cobrada tarifa;
    Cotas crescem ao longo do tempo, com tarifas reduzidas, em vez de liberar entrada sem restrições;
    Mecanismo busca evitar impactos abruptos sobre agricultores europeus;
    Na UE, as cotas equivalem a 3% dos bens ou 5% do valor importado do Brasil;
    No mercado brasileiro, chegam a 9% dos bens ou 8% do valor.

    UE poderá reintroduzir tarifas temporariamente se:

    Produtos beneficiados pelo acordo não poderão estar ligados a desmatamento ilegal;
    Cláusulas ambientais são vinculantes;
    Possibilidade de suspensão do acordo em caso de violação do Acordo de Paris.

    UE não flexibiliza padrões sanitários e fitossanitários.
    Produtos importados seguirão regras rígidas de segurança alimentar.

    Redução de discriminação regulatória a investidores estrangeiros.

    Avanços em setores como:

    Empresas do Mercosul poderão disputar licitações públicas na UE;
    Regras mais transparentes e previsíveis.

    Reconhecimento de cerca de 350 indicações geográficas europeias;
    Regras claras sobre marcas, patentes e direitos autorais.

    Capítulo específico para PMEs;
    Medidas de facilitação aduaneira e acesso à informação;
    Redução de custos e burocracia para pequenos exportadores.

    Potencial de aumento das exportações, especialmente do agro e da indústria;
    Maior integração a cadeias globais de valor;
    Possível atração de investimentos estrangeiros no médio e longo prazo.

    Assinatura prevista para 17 de janeiro, no Paraguai;
    Aprovação pelo Parlamento Europeu;
    Ratificação nos Congressos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai;
    Entrada em vigor apenas após conclusão de todos os trâmites;
    Acordos que extrapolam política comercial precisam ser aprovados pelos parlamentos de cada país.

    *Com Agência Brasil 

    Fonte: Jovem Pan News

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