O Ministério Público instaurou um inquérito para apurar a responsabilidade sobre o fogo que atingiu 22 propriedades rurais em 2025; a proprietária já foi multada em R$ 1,4 milhão pela PMA.
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio da 2ª Promotoria de Justiça de Miranda, oficializou a abertura de um inquérito civil nesta semana para garantir a reparação integral dos danos causados por um incêndio de grandes proporções em Bodoquena. O incidente, ocorrido em setembro de 2025, é um dos casos emblemáticos de negligência no uso do fogo em áreas de preservação.
Origem e Extensão do Dano
A investigação aponta que as chamas tiveram início no dia 12 de setembro de 2025, quando uma idosa, proprietária de um sítio na região, realizava a queima de folhas secas para limpeza da área.
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Fator Climático: Devido aos ventos intensos e à baixa umidade, o fogo fugiu do controle, saltou os limites da propriedade e avançou sobre encostas de morros.
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Área Afetada: O monitoramento por satélite da PMA delimitou uma destruição de 194,493 hectares.
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Impacto na Natureza: Do total devastado, 120,112 hectares eram de vegetação nativa em regeneração, afetando diretamente a biodiversidade da Serra da Bodoquena.
Punições e Medidas Administrativas
A responsável pela queima irregular já sofreu sanções pesadas dos órgãos ambientais estaduais:
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Multa Milionária: A Polícia Militar Ambiental (PMA) e o Imasul aplicaram uma multa de R$ 1.424.263,00 com base na Lei de Crimes Ambientais.
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Recuperação Obrigatória: Foi exigida a apresentação de um Prada (Projeto de Recuperação de Área Degradada ou Alterada) para tentar reverter os danos ao solo e à flora.
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Inquérito do MP: Agora, o Ministério Público busca verificar a extensão dos danos em Áreas de Preservação Permanente (APP) e Reserva Legal das 22 propriedades vizinhas que também foram atingidas.
Outro Caso: Multa de R$ 1,6 Milhão
Paralelamente, a Justiça e o Imasul também acompanham o caso de uma concessionária de energia e outro produtor rural em Bodoquena, multados em R$ 1,6 milhão por um incêndio iniciado em 19 de setembro de 2025.
Nesta outra ocorrência, a suspeita é que o rompimento de um cabo ou um curto-circuito provocado por um morcego tenha iniciado o fogo, que consumiu mais 177 hectares e atingiu o Assentamento Campina II. A defesa da concessionária recorre da decisão, alegando que o fogo teria começado por causas externas à rede.


