As esperanças de um avanço nas negociações de paz para a guerra entre EUA, Israel e Irã diminuíram drasticamente ontem, domingo (26), após o presidente Donald Trump cancelar a visita de seus enviados a Islamabad. Contudo, o Ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, desafia o impasse e prossegue sua maratona diplomática pelo Paquistão e Omã, enquanto Trump reafirma que Teerã deve tomar a iniciativa para dialogar e encerrar o conflito iniciado em 28 de fevereiro.
Em entrevista ao programa “The Sunday Briefing” da Fox News, o presidente norte-americano foi categórico. “Se eles quiserem conversar, podem vir até nós ou podem nos ligar. Sabe, temos um telefone. Temos linhas seguras e confiáveis”, declarou Trump, impondo uma condição irredutível: “Eles sabem o que precisa constar no acordo. É muito simples: eles não podem ter armas nucleares, caso contrário não há motivo para se reunirem.”
A exigência de Washington colide com a postura iraniana de longa data, que reivindica seu direito de enriquecer urânio para fins pacíficos. No entanto, potências ocidentais e Israel persistem na alegação de que o programa de Teerã visa, na verdade, ao desenvolvimento de armas nucleares, ponto central de discórdia que tem impedido qualquer avanço substancial.
Embora um cessar-fogo tenha contido os combates em larga escala desde o início do conflito, nenhum acordo foi alcançado para encerrar uma guerra que já ceifou milhares de vidas, disparou os preços do petróleo, alimentou a inflação global e obscureceu as perspectivas de crescimento econômico. A situação é agravada pelo fechamento do Estreito de Ormuz por Teerã – rota vital para um quinto das remessas globais de petróleo – e pelo bloqueio imposto por Washington aos portos iranianos.
Após conversas no Paquistão, Araqchi viajou para Omã, outro mediador no conflito, onde se encontrou com o líder do país, Haitham bin Tariq al-Said, ontem. A segurança no Estreito de Ormuz foi tema central, com o chanceler iraniano defendendo uma estrutura de segurança regional livre de interferências externas, segundo o Ministério das Relações Exteriores do Irã. O ministro retornou hoje a Islamabad para novas reuniões antes de seguir para Moscou, conforme fontes do governo paquistanês.
A agência de notícias semioficial iraniana Tasnim informou que a agenda de Araqchi com autoridades paquistanesas inclui a implementação de um novo regime jurídico sobre o Estreito de Ormuz, o recebimento de indenizações, a garantia contra futuras agressões militares e o levantamento do bloqueio naval. Crucialmente, o relatório enfatiza que essas conversas não abordariam o programa nuclear do Irã, reforçando a complexidade e a distância entre as posições das partes.


