A Polícia Científica e a Polícia Penal de Mato Grosso do Sul realizaram, na última quinta-feira (30), a coleta de material biológico de aproximadamente 300 custodiados na Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado da Gameleira II, em Campo Grande. A ação, coordenada pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), faz parte da Operação Codesul Perfil Genético, que abrange os estados de Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
O objetivo principal da operação é expandir o Banco Nacional de Perfis Genéticos (BNPG) com perfis genéticos de indivíduos legalmente selecionados. Após processamento laboratorial e validação técnica, os dados serão inseridos na Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIB PG). O BNPG permite a comparação de perfis genéticos com vestígios biológicos encontrados em locais de crime ou em vítimas, auxiliando na identificação de vínculos entre crimes, possível autoria e fortalecendo provas técnico-científicas em investigações.
Em Mato Grosso do Sul, a Polícia Penal foi responsável pela triagem e organização dos custodiados, enquanto a Polícia Científica coordenou a coleta, análise laboratorial e gestão técnica dos perfis. O Instituto de Análises Laboratoriais Forenses (IALF) desempenhou um papel crucial nesse processo.
Rodrigo Rossi Maiorchini, diretor-presidente da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), ressaltou a importância da sinergia entre a rotina prisional e o trabalho pericial. “A etapa realizada dentro do estabelecimento penal exige planejamento, controle de fluxo e identificação prévia dos custodiados que se enquadram nos critérios legais. Esse trabalho de organização é o que permite que a Polícia Científica execute a coleta com segurança e dentro dos protocolos necessários”, afirmou.
Josemirtes Prado da Silva, diretora do IALF, destacou o impacto da inserção de perfis de alta qualidade técnica. “Cada perfil inserido com qualidade técnica amplia a capacidade de comparação do banco. Isso pode permitir a conexão entre crimes, indicar possíveis autores e abrir novas linhas de investigação em casos que dependem de prova científica”, explicou.
Atualmente, Mato Grosso do Sul registra 5.034 perfis genéticos na área criminal na RIBPG. Deste total, 4.081 são de condenados, representando cerca de 40% das 10.178 pessoas condenadas no sistema prisional estadual, de acordo com o Mapa Prisional da Agepen de dezembro de 2025. A base estadual também inclui 910 perfis de vestígios, 39 de identificados criminalmente, três de coletas por decisão judicial e um de resto mortal identificado.
A expansão desses bancos de dados é fundamental para a resolução de crimes, como evidenciado em outras ações de segurança pública. A expectativa é que a inclusão dos novos perfis fortaleça as investigações em andamento e futuras.


