Democratas no Senado e na Câmara dos Estados Unidos iniciaram uma investigação sobre perdões presidenciais e reduções de pena concedidos por Donald Trump. A apuração busca determinar se tais medidas, concedidas em 2021, foram motivadas por “troca de favores”, conforme informações obtidas pela CBS News.
Investigação Abrange Beneficiários de Destaque
Entre os investigados estão os perdões concedidos aos bilionários de criptomoedas Changpeng Zhao, que se declarou culpado por lavagem de dinheiro, e ao empresário Trevor Milton, sentenciado em 2023 por mentir a investidores. O operador de casas de repouso Joseph Schwartz, condenado por crimes tributários, também figura na lista.
Cartas foram enviadas no mês passado a mais de uma dúzia de beneficiários para verificar se receberam tratamento favorável de Trump ou de seus assessores. Os democratas também avaliam o impacto desses perdões em milhares de vítimas financeiras, argumentando que as ações de Trump “privam vítimas de compensação e justiça”, eliminando centenas de milhões de dólares em indenizações e multas.
Clemência Executiva Sob Escrutínio
O escrutínio sobre a concessão de perdões intensificou-se no segundo mandato de Trump, com investigações sobre benefícios a aliados processados criminalmente e a pessoas que contrataram indivíduos próximos ao ex-presidente. Os democratas argumentam que Trump recompensou aliados de forma que se afasta da descrição da Suprema Corte sobre clemência executiva como um “ato de graça” voltado ao “bem-estar público”.
Parlamentares solicitaram contratos que detalhem pagamentos feitos pelos beneficiados a advogados, lobistas e outros para influenciar Trump. Também foram requisitadas comunicações entre beneficiados e autoridades federais, registros de doações e documentos relacionados aos esforços para obter clemência.
“Se eles não responderem, correm o risco de se tornarem alvo de futuras investigações do Congresso e de possíveis novas ações criminais”, afirmou Dave Min à CBS News. Ele criticou a ideia de que condenados possam “driblar o sistema de Justiça”.
Por serem minoria na Câmara e no Senado, os democratas não possuem poder de intimação e dependem da cooperação voluntária. No entanto, o tema deve se tornar uma frente de fiscalização prioritária caso o partido recupere a maioria nas eleições legislativas deste ano.
Casa Branca Nega Irregularidades
A Casa Branca negou irregularidades. A porta-voz Karoline Leavitt declarou que quem “gasta dinheiro para fazer lobby por perdões está desperdiçando dinheiro”, assegurando que o governo possui um “processo robusto de revisão de perdões”.


