O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta terça-feira (19 de maio) a transferência do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal (PF). A decisão ocorre após Vorcaro, dono do Banco Master, ter entregue sua parte na delação premiada, encerrando os privilégios de custódia que desfrutava.
Com a nova determinação, os advogados de Vorcaro perdem a autorização para visitá-lo a qualquer hora do dia, um acesso irrestrito que era permitido até o último domingo (17 de maio). Segundo Mendonça, a presença contínua da defesa era fundamental para a elaboração do acordo de colaboração, mas com a delação agora finalizada, não há mais necessidade de Vorcaro ser submetido a regras diferentes dos demais presos.
A transferência para a cela comum representa uma mudança significativa nas condições de custódia do ex-banqueiro. Desde 24 de março deste ano, Vorcaro ocupava a Sala de Estado-Maior da Superintendência Regional da PF do Distrito Federal, local anteriormente utilizado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e reservado a autoridades e altas figuras públicas – condição que não se aplicava a ele. Anteriormente, o banqueiro estava em um alojamento com menos recursos, com uma mureta separando a cama de concreto do vaso sanitário e do chuveiro.
A decisão de Mendonça surge dias após a prisão de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro, durante uma nova fase da Operação Compliance Zero. A detenção do pai gerou especulações sobre uma possível pressão para que Daniel Vorcaro apresentasse uma delação mais robusta, com novas provas e nomes de envolvidos no esquema. Desde o início das negociações com a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR), a defesa de Vorcaro buscava garantir imunidade jurídica para familiares, como o pai e a irmã, visando evitar que crimes como lavagem de dinheiro, atribuídos a ele por meio de contas de parentes, fossem imputados a eles. Em 6 de maio deste ano, a defesa de Vorcaro enviou uma nova proposta de delação premiada, após a primeira versão ter sido recusada pela PGR e PF por ser considerada incompleta e não responder às dúvidas dos investigadores.


